Wednesday, 18 March 2026

Lisboa Agosto - 2012 - I - Casa dos Bicos

Dos livros se (re)tem a memória, das divagações da alma e dos corpos, da política e da não-política, todos estes anos de negrume antes da Revolução.

Foi, portanto, um gosto ir à Casa dos Bicos, Fundação Saramago, em boa hora estabelecida pela vontade e coerência do nosso escritor. Dele e, depois da sua morte, continuada por Pilar del Rio, a mulher a seu lado para "depois" de tudo. Uma nesga de liberdade bem aproveitada.

A Casa dos Bicos foi construída como habitação, no séc. XVI, tendo ficado destruída após o terramoto de 1755. A ornamentação em pedra em forma de ponta de diamante deve-se à influência italiana de várias construções de palácios da época. Foi recuperada em 1983 com a sua bela aparência. Em 2007 foi cedida pela Câmara para ali se instalar a Fundação, mantendo presente a vida e o espólio do nosso Prémio Nobel. Uma parte subterrânea é reservada como museu, à memória da cidade.

 

O subsolo apresenta as escavações que mostram o velho tempo da cidade romana e mudéjar.

 O resto são os traços e lembranças de José Saramago

Que Poeta da Memória, que sentimentos de um homem já maduro, representa esta folha entre as suas agendas... Detive-me a pensar nisso porque tenho esta mania das lembranças semelhantes, em muitos sítios da casa e dos livros.

Este homem foi/é sempre actual, no escrever, no pensar e no dizer. E continua a sua voz e escrita : como aqui, hoje que "somos um grito de dor e indignação"

Com amigos, com escritores, com artistas, este Homem foi global
 

Hoje escreveria o mesmo, com mais certeza e indignação pelo que se foi e vai passando no mundo. Teria, certamente, palavras de desânimo sobre a "esperança" que se vai estilhaçando, aqui e pelo mundo da "vontade da guerra".


Biblioteca e busto de Vasco Gonçalves

Nas traseiras, os edifícios degradados da Lisboa de contrastes
O Terreiro do Paço
e a torre sineira da Sé Catedral

Uns anos mais tarde iremos lá passar de novo e descobrir outros "sinais do tempo". 


Wednesday, 18 February 2026

Lisboa - Agosto 2012

Correndo fotografias no passado, as tantas vezes que lá fomos! E o que sempre queríamos descobrir, de jardins, de ruas, de museus, de lugares. Assim revisto (me) é impressionante. Desta vez Lisboa de azulejos, uma das minhas atrações antigas. Que me lembre, reparava neles, nas figurinhas e arabescos, no Museu Soares do Reis, de 5/6 anos, quando o porteiro Sr. Luís Juvandes... me deixava andar por lá, pelos imensos corredores e pelos jardins traseiros. Isto sem falar na impressionante figura de Rei D. Afonso Henriques que estava no átrio e que através dos anos seguintes aprendi a estimar, mais.

Está-se em Lisboa e anda-se a pé


 A Câmara Municipal acima e o Terreiro do Paço, quase deserto
Reparo que era o mês de Agosto e a cidade ainda sem as correrias turísticas e uma boa liberdade de andar, sem as malas/gentes, sem telemóveis no ar...

As flores inesperadas nos cantos da cidade

Mosteiro da Madre de Deus, anterior convento de monjas, mandado construir pela Rainha D. Leonor, mulher de D. João II, em 1509 e seguintes, tendo sofrido ulteriores modificações. Neste caso, interessava-me o lugar pela instalação do Museu Nacional do Azulejo, com uma história muito rica desta arte tão diversificada e que se diz iniciada pela ocupação árabe na Península Ibérica. Pois que a gente mal se lembra que eles se estabeleceram aqui até ao treinado de D. Afonso III, séc XIII,  portanto contando com Espanha, ao todo 800 anos!


E damos início às belezas e extravagâncias desta arte







Camélias estilizadas...

Uma parte do Museu dedicado à conservação ou restauro? Muito gostava eu de fazer disto uma profissão!

A igreja, rica, barroca, com muitas relíquias de santos e santas, cá e de outros países, em retábulos fechados, um pouco assustadores

Não cabem aqui a riqueza e os pormenores desta igreja!





Os azulejos de várias partes da igreja, santos e pagãos em convívio


Extraordinário ponto de fuga tão bem elaborado que vemos o fim da fila das árvores, quase uma pintura
O divertido anjinho maroto, a espreitar por um binóculo?

Crocodilos encontrados nas nossas expedições ultramarinas e aqui recordados? 


A mim pareceu-me uma alusão ao quadro "Rapto da Europa" feito por vários pintores do séc. XVI

A preciosidade deste mural que parece uma espécie de banda desenhada...




O claustro antevisto

E por fim, o grande azul-Tejo e as distâncias.