Friday, 5 June 2026

Lisboa Maio 2026 - Gulbenkian 2

Vou lendo os nomes dos costureiros, as formas inimagináveis que tomam os tecidos e os enfeites, vagueio de novo entre a semelhanças de roupas, quadros e objectos:

Máscara de Múmia, Egipto, prata dourada 

 

...o biombo, não encontrei. Mas que condiz com o pequeno bolero é como o vi e mais alguém pensou.
 

Aqui abaixo uma extraordinária jaqueta em cerâmica


Este, fascinante associação do vestido-pavão e o cisne: quadro "Pavão e Troféus de Caça" de Jan Weenix, 1708

Acima, "Cesto com rosas",  de Henri Fantin-Latour

Abaixo na vitrine, reconheço uma das peças de Lalique. 

 

O maravilhoso arranjo para "O Espelho de Vénus", de T. Burne-Jones, 1875




O fim da exposição e do encantamento, o caminho perfumado de madressilvas. Horas bonitas.

 

Lisboa Maio 2026 - Gulbenkian

Uma vez mais interrompo os anos passados, com uma visão do presente. Uma inesperada visita à exposição da Gulbenkian "Arte e Moda", há cerca de um mês. E, se sempre esse museu me agrada e surpreende, desta vez não ia mesmo a pensar no encantamento que me provocou a exposição.

Arte da colecção daquele casal que nos deixou a sua riqueza e as semelhanças encontradas com peças de vestuário de muitos e diversos costureiros. A beleza está no desafio de encontrar os pontos comuns, da antiguidade à modernidade. 

Embora uma grande parte dos jardins esteja em obras e o bar amável do antigo edifício fechado, relembro, o passeio


 

E as seguintes figuras que me ficaram no espírito, um desdobramento da Arte com outras vertentes da imaginação e da estética:


 

Posteriormente e como gosto destas coisas de "descobrir e conhecer", lá fui ver ao meu catálogo antigo, 1982, algumas das obras que identifiquei: abaixo um baixo relevo de alabastro, da região Assíria-Nimrud, séc. IX a.C.






 

Esta que parece uma caixa, penso que será um conjunto de picnique, do Japão, séc. XVIII



O quadro abaixo que está reproduzido na parede e cujo vestido sugere, é a obra "Sagrada Família e Doadores", de Victor Carpaccio, séc. XVI

 

E encontro o belo "Retrato de uma Jovem", de Domenico Ghirlandaio, séc XV


Manet e as "Bolas de Sabão"

"Retrato de Madame de la Porte", Jean-Marc Nattier, 1752

Vaso, Ática, c. 440 a.C.


Como continuarei...

 

Wednesday, 18 March 2026

Lisboa Agosto - 2012 - I - Casa dos Bicos

Dos livros se (re)tem a memória, das divagações da alma e dos corpos, da política e da não-política, todos estes anos de negrume antes da Revolução.

Foi, portanto, um gosto ir à Casa dos Bicos, Fundação Saramago, em boa hora estabelecida pela vontade e coerência do nosso escritor. Dele e, depois da sua morte, continuada por Pilar del Rio, a mulher a seu lado para "depois" de tudo. Uma nesga de liberdade bem aproveitada.

A Casa dos Bicos foi construída como habitação, no séc. XVI, tendo ficado destruída após o terramoto de 1755. A ornamentação em pedra em forma de ponta de diamante deve-se à influência italiana de várias construções de palácios da época. Foi recuperada em 1983 com a sua bela aparência. Em 2007 foi cedida pela Câmara para ali se instalar a Fundação, mantendo presente a vida e o espólio do nosso Prémio Nobel. Uma parte subterrânea é reservada como museu, à memória da cidade.

 

O subsolo apresenta as escavações que mostram o velho tempo da cidade romana e mudéjar.

 O resto são os traços e lembranças de José Saramago

Que Poeta da Memória, que sentimentos de um homem já maduro, representa esta folha entre as suas agendas... Detive-me a pensar nisso porque tenho esta mania das lembranças semelhantes, em muitos sítios da casa e dos livros.

Este homem foi/é sempre actual, no escrever, no pensar e no dizer. E continua a sua voz e escrita : como aqui, hoje que "somos um grito de dor e indignação"

Com amigos, com escritores, com artistas, este Homem foi global
 

Hoje escreveria o mesmo, com mais certeza e indignação pelo que se foi e vai passando no mundo. Teria, certamente, palavras de desânimo sobre a "esperança" que se vai estilhaçando, aqui e pelo mundo da "vontade da guerra".


Biblioteca e busto de Vasco Gonçalves

Nas traseiras, os edifícios degradados da Lisboa de contrastes
O Terreiro do Paço
e a torre sineira da Sé Catedral

Uns anos mais tarde iremos lá passar de novo e descobrir outros "sinais do tempo".