Dos livros se (re)tem a memória, das divagações da alma e dos corpos, da política e da não-política, todos estes anos de negrume antes da Revolução.
Foi, portanto, um gosto ir à Casa dos Bicos, Fundação Saramago, em boa hora estabelecida pela vontade e coerência do nosso escritor. Dele e, depois da sua morte, continuada por Pilar del Rio, a mulher a seu lado para "depois" de tudo. Uma nesga de liberdade bem aproveitada.
A Casa dos Bicos foi construída como habitação, no séc. XVI, tendo ficado destruída após o terramoto de 1755. A ornamentação em pedra em forma de ponta de diamante deve-se à influência italiana de várias construções de palácios da época. Foi recuperada em 1983 com a sua bela aparência. Em 2007 foi cedida pela Câmara para ali se instalar a Fundação, mantendo presente a vida e o espólio do nosso Prémio Nobel. Uma parte subterrânea é reservada como museu, à memória da cidade. O subsolo apresenta as escavações que mostram o velho tempo da cidade romana e mudéjar.O resto são os traços e lembranças de José Saramago
Que Poeta da Memória, que sentimentos de um homem já maduro, representa esta folha entre as suas agendas... Detive-me a pensar nisso porque tenho esta mania das lembranças semelhantes, em muitos sítios da casa e dos livros.Este homem foi/é sempre actual, no escrever, no pensar e no dizer. E continua a sua voz e escrita : como aqui, hoje que "somos um grito de dor e indignação"
Com amigos, com escritores, com artistas, este Homem foi globalHoje escreveria o mesmo, com mais certeza e indignação pelo que se foi e vai passando no mundo. Teria, certamente, palavras de desânimo sobre a "esperança" que se vai estilhaçando, aqui e pelo mundo da "vontade da guerra".
Biblioteca e busto de Vasco Gonçalves
Nas traseiras, os edifícios degradados da Lisboa de contrastesO Terreiro do Paçoe a torre sineira da Sé Catedral
Uns anos mais tarde iremos lá passar de novo e descobrir outros "sinais do tempo".