Tuesday, 5 February 2013

Terras ... IV

E chega-se ao objectivo de todas aquelas voltas entre Tejo e Sado, na plenitude da terra alentejana.




O Conjunto Arqueológico do Escoural fica no meio da paisagem (Herdade da Sala), bem longe das casas: aí se encontraram os primeiros vestígios dos povos caçadores do período Paleolítico.





A gruta e galerias foram descobertas por acaso, nos anos 60, quando se procedia ali à exploração e extracção de mármore.

Nas décadas seguintes, os estudiosos da pré-história encontraram naquele abrigo/santuário rupestre, inúmeros sinais de ocupação humana, desde traços de pinturas de animais e outros símbolos figurativos, ossadas, utensílios de caça, cerâmica, adornos, placas votivas.




Em Santiago do Escoural existe um óptimo Centro de Interpretação onde estão reunidas as principais informações sobre este lugar tão “ante-passado” (desconhecido/encerrado durante cerca de 5.000 anos!).




Os campos e caminhos à volta encerram pequenas surpresas para os olhos e paisagens de paz.







Como esta anta do Livramento, transformada em capela.

Terras... III


E assim, ramificando caminho da estrada principal, se encontra a mui bela Alcáçovas, construída sobre a antiga estrada romana que ligava Évora a Alcácer do Sal.






Parar, olhar e falar com as pessoas de curiosidade amistosa que nos dão as "boas-tardes", é um gosto como o da viagem. Trocamos ideias longas num país tão estreito. Uma das senhoras nunca tinha visto o mar, outra estava feliz por ter ido à festa do "Avante", todas se queixavam dos governos que lhes roubam as reformas e, aos mais novos, os empregos.


Lembrei-me depois se alguma vez se questionariam elas (!!!) da importância do Tratado de Alcáçovas-Toledo, entre os do costume (Portugal e Espanha), celebrado em 4.9.1479 ali mesmo, e que nos fez desistir do reino de Castela, repartindo os territórios do "MAR Atlântico" e as terras/ilhas descobertas até então. Assegurou aos portugueses "explorar" o caminho marítimo para a Índia ... e tudo o resto que sabemos.

Friday, 1 February 2013

Terras... II








Desviar
para ver uma barragem e arredores, simplesmente porque se gosta do nome do pássaro com penas azuis: GAIO.
Lugar especial, escondido, específico. Nem entrar, nem estacionar nem sede de água, está escrito à entrada.

O lixo à volta... era um luxo.
Fiz perguntas aos patos: eles riram-se-me nas penas!

Tuesday, 29 January 2013

Terras... I

Sempre que lobrigamos um nome, uma estrada transitável que nos leva a sítios "pen-sonhados" há tanto tempo (da escola primária, até), fazemos uma estratégia das nossas metas de viagem ou paragem.
Foi desta vez um corte pelo meio do país, escolhido pela passagem em Montemor-o-Novo - no imaginário estava a Gruta do Escoural - até Odivelas, mais abaixo.




Em Odivelas, numa estalagem perdida na estrada.



Adivinha quem vem jantar?




A afabilidade das pessoas, um quarto enorme, um terraço para o pôr do sol e a comida, farta e bem feita, colmataram uma "espécie" de publicidade enganosa do anúncio na internet: o edifício principal, que víamos acima num lugar mais bonito e sobranceiro, uma horta que se aperalta para jardim... ainda por acabar...!

Terras e Serras per aí abaixo





Há terras com nomes tão bonitos como Gato, Safira, Alcáçovas, Barrosinha, Brissos, Monte de Algalé...

Esta tem de especial ser uma recordação "de tropa ", de tanto ouvir falar de.
Casa Branca: a paragem dos "magalas" nos anos 60, vindos dos longínquos quartéis para onde a ditadura de Salazar - a que parecia esperteza saloia - os baralhava: os do Norte para o Sul, os dos Sul para o Norte.
Um pobre soldado demoraria um dia para vir dum quartel no Algarve, para Faro, com destino ao Porto ou outro ponto do Norte, por exemplo.
E o "povo" sabia do negócio dos tropas: nesta estação parava o comboio militar e havia mulheres com cestos e canastras vendendo bifanas.

Os lugares estão desertos, o calor abafa. O velho senhor que come uma laranja na carruagem-máquina fala desses tempos, fala da guerra.

Fomos ao café, comer com as gentes dali, na simplicidade das toalhas de papel.
Os restos dum comércio de colonizadores/colonizados mal se vislumbravam , não fossem os restos de comida - que me lembrou a "cabeça do império" -  a modéstia da vila, os gatos sonolentos, a decadência envergonhada, o silêncio que tudo invadiu.