Dos caminhos para o Couço, das diferenças. Da primeira vez era Maio, um mês total de flores e cheiros, de cores luminosas e sabores imaginados.
Que tantas vezes dá vontade de ir na diagonal, sair das perpendiculares, torcer pelos nomes desconhecidos adentro, além do Tejo
(para lá destas janelas quase cegas das traseiras, das luzes infernais das ruas e carros à frente, tantos anos-caminhos-carinhos cruzados; fechar, fechar e pairar noutros lugares)
Pousava-lhe a cegonha, na Ponte da Raposa
Os campos perto da estrada velha estavam tão doces!
E a sopa de cação ali encontrada, na sua simplicidade de pão rústico, peixe do rio e salpicada de ervas de cheiro, os coentros alentejanos.
Desta vez - voltar ao sítio onde fomos felizes! - era uns anos depois, Setembro, a cegonha não estava mas deixou o rasto da beleza
e, no mesmo sítio, amável e de gente da terra despretensiosa, o prato do dia era "pézinhos de coentrada".
Friday, 17 February 2017
Wednesday, 15 February 2017
O Alentejo II
Os preâmbulos da visita à Casa Museu Manuel Ribeiro de Pavia foram interessantes: ainda dentro do horário anunciado, a porta fechada e não estava ninguém. Falou-se com as pessoas sentadas no largo que sugeriram que se fosse à Junta de Freguesia perguntar. A senhora que toma conta da casa tinha ido buscar a filha à escola mas a prestável funcionária da junta, vendo o interesse e "de longe" que íamos, ofereceu-se para abrir a porta e deixar-nos entrar e ver. Uma simpatia de gentes que raramente se encontra.
As imagens falam.
Alves Redol, Manuel da Fonseca, Fernando Namora (que ali viveu alguns anos como médico), tantos os nomes e ilustrações de livros que relembrei!
E, apesar da dureza dos tempos, há como que uma linguagem poética no tratamento das figuras
Estes motivos vegetais e estas mensagens dos olhos e posturas
Estas lágrimas que a luz fez aparecer, num dos rostos que me lembrou as jornas, os ganhões, os sem terra, os grupos que se juntavam no largo das vilas e aldeias, para serem escolhidos pelo agrário-proprietário para o trabalho no campo. De sol a sol.
Publicado em 1939!
Saí muito comovida.
Gostaria de reler tantos livros...
As imagens falam.
Alves Redol, Manuel da Fonseca, Fernando Namora (que ali viveu alguns anos como médico), tantos os nomes e ilustrações de livros que relembrei!
E, apesar da dureza dos tempos, há como que uma linguagem poética no tratamento das figuras
Estes motivos vegetais e estas mensagens dos olhos e posturas
Estas lágrimas que a luz fez aparecer, num dos rostos que me lembrou as jornas, os ganhões, os sem terra, os grupos que se juntavam no largo das vilas e aldeias, para serem escolhidos pelo agrário-proprietário para o trabalho no campo. De sol a sol.
Publicado em 1939!
Saí muito comovida.
Gostaria de reler tantos livros...
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Pavia 2 Ser. 2017
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