Wednesday, 3 July 2019

Barcelona 2007

Para Barcelona, de volta a discorrer pelas viagens dos últimos anos.
Onde tinha estado numa feira, em trabalho, uma década atrás: quando o mundo era redondo.
E eu caminhava sobre vidros partidos como se asas me sustentassem.
Ou estivesse, simplesmente, desaparecida da minha vida habitual!
Sempre gostei de voar, o único meio de transporte que não me enjôa. E recordo-me perfeitamente da primeira vez que andei de avião, era um fim de tarde e o céu parecia fogo, através de lágrimas das despedidas. Outras histórias de "deixar".
Esta cidade, que conheci em condições muito diversas, exercia "algum" fascínio sobre as minhas memórias.
Manhã cedo, muito cedo, um grupo e apenas quatro dias para tudo o que queria ver e rever.

Porto deixado

Calculando pelas horas que seriam as terras áridas do meio de Espanha
Cidade colónia de Roma há mais de dois mil anos, "Barcino" ou, depois, Barcelona já vislumbrada. O Mediterrâneo!






Enveredar pela história desta parte da Catalunha é uma obra monumental que já não consigo abarcar: os primeiros povoados, referências imensas através dos séculos, dos reis espanhóis ao desenvolvimento industrial, à guerra franquista, ao orgulho catalão, aos eventos que transformaram a cidade (Jogos Olímpicos de 1992), à formidável obra de engenharia que foi reconstruir e modernizar, sem perder o romantismo que nos surpreende em muitas esquinas.
Limito-me a apontar alguns lugares, o mapa está na cabeça, as ruas nos pés que os percorreram, as imagens... no olhar quando recua no tempo.
Uma volta panorâmica de autocarro e a cidade desenrolou-se: como se tivesse apenas visto "um trailer" e agora as peças do filme começassem a encaixar-se




Onde estive antes, nos pavilhões da feira, em 1997.

Museu Nacional de Arte da Catalunha


Do Monte Montjuïc




Teleférico e vista a partir do Parque Montjuïc
Praça Cólon, Cristovão apontando a América, "O Novo Mundo"


Avenida monumental seguindo o Parque da Cidadela - e há-de aparecer o Arco do Triunfo, projectado para entrada da Exposição Universal de 1888

O rendilhado das janelas e das árvores,
mais a eternamente em construção "Sagrada Família" e Gaudi, Gaudi em tantas referências pela cidade.






Tudo visto de passagem, a contar "ver tudo com paragem"!

Friday, 28 June 2019

Porto Janeiro 2007

Quantas vezes me lembrei de fazer um mapa do Porto, com os meus caminhos, com fios cruzados como este?
Vivi, trabalhei, andei, pela cidade, em muitas ruas, em todas as direcções. Constatei há anos que existem inúmeros cruzamentos comuns, lugares que sempre sou obrigada a percorrer, nesta minha longa vida, pontos onde, exaustivamente, passei ou calcorreei, em trabalho, em prazer, em doença. Como de costume dou relevância espantada "às coincidências", de nomes, de lugares. Basta-me pensar numa consulta ou numa rua onde passei habitualmente e, alguns anos depois, fui lá parar.
Na última ocorrência singular e inesperada, uma amiga chegada vai viver para um lugar onde não quero passar há 20 anos!
As ruas doem-me como veias inchadas por onde não circula o gosto de viver ou conhecer. E na cidade não encontro protecção para as minhas memórias: antes os vincos, os picos, as esquinas vivas da noite ou madrugada, o que era, o que sentia. Muito do que queria evitar. Não apenas  as pessoas mas os sítios.
Nesta cidadela onde me imponho, ou a que me obrigo, encontro o silêncio de pensar, de escrever, de pegar em pontas nos lugares que (agora) não (re)conheço.
Assim foi Janeiro na cidade.
A cidade de que julgo (talvez) gostar se longe estiver.
Tanto lhe conheço as clarabóias, os ferros forjados, os azulejos, as frontarias austeras, as janelas, as ruas - agora pejadas de casas de comidas, bric-à-brac, "souvenirs" e gente com malas de rodinhas.
Há tempos, há anos, encontrava ainda motivos de prazer, renovado a cada visita, passeio, rua ou pormenor. Aproveitava os amigos/família que cá vinha turistar para "ver" e dar-lhes a conhecer os recantos da cidade. Estivemos inscritos em passeios de grupo, com guia conhecedor, para saber pormenores da história do burgo e das tradições.
Nestes últimos períodos de mim, apenas desejava estar longe.
Do Marquês para Santa Catarina:






Os recantos surpreendentes, o granito trabalhado

Os pátios inesperados, com uma vaga fantasia de paz



Os pomares, com as frutas e os legumes à porta


Encontrei por acaso uma frase de um autor de quem muito gosto: Konstantínos Kaváfis, poema "A Cidade", excerto
"A cidade irá onde tu vás"

Thursday, 27 June 2019

Uma praia do Norte em 2007 - VII

Ao rever tudo isto, agarro um prazer extenso que eventualmente só tive em pequenas doses! Dizem-me que foi um "desperdício".
***
Não cabem aqui as despedidas desse período formoso. E é que nem consegui despedir-me, vencida pelos deveres e afazeres.
Por períodos, as fotografias do ano seguinte, observando o despertar das diversas naturezas da praia e do lugar.







Já Maio e as flores de enfeite, a eterna dança das abelhas

Assim a recordo, serena e limpa.