Tuesday, 13 July 2021

Semana de Alentejo (mais profundo) VII

Da mil ideias acrescentadas, amanhece a vontade. Nomes de escola: Juromenha, D. Afonso Henriques, Geraldo o Sem Pavor... séc. XII.

Nossa Senhora do Loreto de Juromenha, lugar ocupado por celtas, romanos e muçulmanos. A fortaleza abandonada  foi, durante séculos de lutas, o bastião de guarda contra a Espanha. A solidão - mais o habitual desleixo, não sei como estará agora... - e a beleza do lugar. O caminho até lá, por estradas vagas e solitárias.




O Guadiana
 


Espantou-me ver como estava arranjada e cultivada a outra margem!

E o poiso das andorinhas. Mas era triste andar entre ruínas e paredes destruídas, lixo, não fora a Natureza alegrar os cantos 










Os Portugueses... "altos castelos, verdes e amarelos..."

Uma das coisas que gosto de fazer, com a tecnologia que agora "não vai ao livro", é colocar o mapa que nos (pessoas, países) foi inventado pelos states (e lá deve estar escarrapachadinho) e pôr o homenzinho amarelo a andar...Encontro agora muitos anúncios, muitos buquingues, muitas camas lá para nowhere. E neste caso, apesar da vila me parecer ainda degradada, caminhos e construções, lá estão umas casas de turismo, idílicas, nas Terras do Grande Lago, como lhe chamam.



 

Monday, 12 July 2021

Semana de Alentejo (mais profundo) VI

Do castelo e das muralhas, mais um castelo mandado erguer por D. Dinis no séc. XIII.

Lápides encontradas no local remetem a ocupação deste lugar para a época da invasão romana da Península Ibérica. Sei da existência no seu interior dos Museus da Caça e de Arqueologia, que não vi. Apenas se falou com o velho guarda sobre isto e aquilo - abandonos... -, e nos foi permitido andar à volta e ver os belos panoramas que ali se apresentam. 

A começar por esta cena, tão invulgar e tão caseira, naquele recinto com séculos de passagens e vozes: 

"ah...vou ali expulsar um punhado de espanhóis!

 ah... vou ali assar uns pimentos..."




A minha indignação é enorme ao ver escritos e sinais de gente inconsciente, as marcas da estupidez de quem ali passou.

De velhas muralhas, fosso, portas e ponte levadiça







E a grande pedreira de mármore ao longe, a velha fábrica e a luz doce de fim de dia!


Semana de Alentejo (mais profundo) V

E andando à sorte das ruas, de caminho para o castelo, se notam os pormenores




 




Mas antes de vaguear nele, a passagem pela Igreja de Nª Srª da Conceição, vazia, elegante e bonita, por dentro. A Srª da Conceição foi consagrada e coroada como padroeira de Portugal em 1664, e leio que nunca mais os herdeiros da Casa de Bragança usaram "coroa". Situa-se dentro das muralhas medievais da cidade e há notícias da anterior edificação no séc. XIV. Reina o mármore.








De passagem para lembrar Florbela Espanca (1894-1930), uma poetisa que sempre me fascinou, pela sua palavra sofrida, vida e sentimentos tumultuosos. Do "Livro de Mágoas":

".. e não se quer pensar!...

e o pensamento sempre a morder-nos bem, dentro de nós..."



Mulher formosa, de corpo e espírito. Nasceu ali, viveu 36 anos em vários lugares, morreu em Matosinhos.