Wednesday, 15 July 2015

Londres IV - Barco no Tamisa

Nem 24h tinham passado do pousar!
Uma temperatura soberba levava os pássaros e os passos para a beira-rio. E nem mais: apanhar o transporte de barco não-turístico para Greenwich. Porque do Tamisa a paisagem é imperdível e sabemos sempre que voltaremos com o pôr do sol, navegaremos para ocidente.








A Tower of London, de jóias e terrores (onde nunca fui) e ao longe o arranha-céus St. Mary Axe, chamado The Gherkin (o Pepino!!!)



Quando (me)penso nas noites em que íamos, no silêncio e no escuro assombrado, à Tower Bridge, descendo umas escadas para as docas, encontrar o barco de carga velho que levava as maçãs e o bacalhau, mandados de Portugal ... O que nos ríamos para afastar o medo, em tão remotas paragens!
 
Hoje olhamos Canary Wharf de um lado e Southbank do outro, fazendo um esforço para lembrar os nomes dos modernos ícones da cidade: toda a margem sul foi reconvertida. Irei vê-la mais tarde, andada a pé pela Queen's Walk, numa aventura dialogante com o actual vidro e os velhos armazéns reconvertidos.


Londres III - Oxford St e lojas

(não sei a que número romano a descrição solta desta viagem me levará! São apontamentos como um livro, já que plantei árvores, tive um filho...)

Lembro-me que às 5ªs feiras, as lojas entre Marble Arch e Tottenham Court Road, os grandes armazéns de vários pisos e escolhas, ficavam abertos até às 8h da noite! Acabar o trabalho (pesado, começado de manhã muito cedo) e tomar banho, vestindo o exótico vestir de Londres (Where are you from?) e andar a tarde pelos discos (sim, era o vinil), as bugigangas indianas, as saias compridas, os quimonos, as meias rendadas, os armazéns de brilhos e cores, os baratos-os caros, comer um éclair no italiano Torino ...
oh sei lá como se passava o tempo entre estudar-trabalhar-viver com amigos da adolescência!











Tuesday, 14 July 2015

Londres II - ruas da baixa e St.Martin

Especialmente, ir directa para o coração da cidade quando se percebe que de autocarro se vai a todo o lado. Que se vêem as ruas, os anúncios das lojas, sente-se o pulsar das pessoas, num repente a semelhança, noutro olhar a diferença.

Curioso anúncio: "Your confidential waste in safe hands": que segredos se (nos) guardam?


Jardim privado de um restaurante ou club?





À volta da praça de Tafalgar e da National Gallery com tão boas recordações, rumo a S. Martin in the Fields tão airosa agora, onde à hora de almoço há música clássica,




sendo que, na cripta, tem uma das belas pequenas surpresas de Londres: um "self-service" acessível,

com uma comida típida "apple pie and custard cream",

admirando as lajes de notáveis paroquianos ali sepultados (até um pequeno museu nas galerias), com as letras gastas pelo passar de muitos crentes - e porque não? se a vida continua em tantos que foram e nos que virão. Quantos deles ouviram Handel?

Vivendo assim o presente, sai-se para o sol e um nome conhecido das proezas misteriosas da mente desvendada: Sherlock Holmes mítico.




Londres I

Foi uma decisão arriscada, depois das doenças de Inverno, a domesticidade dos hábitos.
Passaram-se 3 meses desde a viagem (tão) encantada como um filme de que se gosta e revê: organizei as fotografias por dias para este apontamento de visões e viagens à solta.
Prometi a mim mesma só escolher as melhores, as demonstrativas, as poderosas de memórias, os lugares, os estados. Não consegui senão seguir este fio condutor: ir, começar asminhascoisas com o início delas.

Chegou a madrugada e o nascer do sol, na cidade vazia. Sempre gostei de sítios de passagem, aeroportos, gares, portos. Há uma distracção no movimento, uma vontade de ir além.


os mapas olhados, o algodão das nuvens e o recorte da terra. Que histórias habitarão o "lá em baixo", que tempo fará, que praias que montes que gente que casas?

o primeiro vislumbre dos campos ingleses,

e o segundo, já no autocarro, revendo a Primavera mais a norte,



as cores sóbrias do tijolo, do velho granito, as esquinas floridas,

e o Tamisa, as gruas ao longe prometendo mudanças,

40 anos de diferença, de Victória Station, mais colorida, mais animada de pessoas fazendo os seus caminhos diversos. Comer de pé. Parece ter chegado a pressa também ali. Em obras e remodelações em muitos lugares, talvez uma acuidade de ser mais velha me tivesse feito reparar nas dificuldades e "no forro" antigo e degradado.

Depois de ir ao hotel, só apetecia a mesa de madeira e a cerveja de um "pub",

tantas horas de viagem e atenção,


e mesmo assim, irresistível o parque ali ao lado,


as "squares" que tanta calma dão às ruas,
e logo logo perto dos:
"Sketch the trees and daffodils" de Vincent Van Gogh, velha canção (Don McLean, 1971)

e a seguir Oxford Street, reencontrados alguns lugares que nos eram tão importantes.