Saturday, 14 March 2020

Intervalo nos anos passados algures

... para soltar as camélias desta exposição.
Ano passado ainda consegui ir a Celorico de Basto. Este ano, os medos eram vários e os meios mais escassos. Aqui ficam as fotos mais perto na perfeição das pétalas. Os efeitos da máquina, brincando com as cores desvanecidas ou a preto e branco.
Este Porto (não) sentido em sentimento mas concordando que é bonito e fotogénico.




















Tuesday, 18 February 2020

Lisboa aos 65 anos

Esta espécie de complexo (negativo!) de ter feito tantas coisas boas e agora não poder fazê-las...
Ainda bem que as fiz, diz-me a voz interior a tentar ser amável.
Cirandar pelos meses e anos, e nem são muitos, faz-me lembrar que uma década é muito tempo!
65 anos em Lisboa e jantar "na outra margem":
Não cansava, esta paisagem, esta nitidez dos olhos longos...



O belo e o feio
 A lembrança
As portas do rio, como Abril abriu




A incomensurável noite
"The day after" espreitando em Campo de Ourique
E o lugar dos anjos em jeito de tocar as suas melodias mudas



Friday, 14 February 2020

Porto - Tardes com árvores 1 - Exposição livros

Aproveitando o passeio "com árvores", viu-se uma exposição no Palácio de Cristal, de livros e notícias de antes do 25 de Abril 1974. Não fiquei admirada, sabia-se que a Censura salazarenta se estendia a todas as publicações. Só mesmo escrevendo por metáforas, ou se os agentes da comissão de censura eram tão burros e analfabetos que não percebiam o que liam, escapavam algumas coisas.
As listas são um modelo impressionante, não só de livros ou gente sob vigilância que tratavam outras políticas como de romance realistas.
Porque vivíamos "numa casa portuguesa, com certeza ...". E mais não digo de todas - e imensas - as letras e cantiguinhas que me vêm à cabeça, no desfiar dos anos da ditadura e do cinzentismo fascista.






Viu-se, observou-se tudo. Daqui e destas fotos, não se tem ideia do verdadeiro muro que se erguia à nossa frente. Saiu-se para o arvoredo e as ruas que tão bem conheço. O nojo e a indignação eram muito agudos.
Precisava de AR.
Recolhendo azulejos, como sempre



 e as fachadas de capricho

as meias-portas da época, sei lá se não seria ali o colégio e creche de freiras (não se falava em infantários...) para onde ia ser guardada umas horas, nas tardes em que a minha avó trabalhava nas limpezas




Chamavam-lhe o Palácio do Bispo, disso me lembro, e tinha um belo jardim para a Rua de Júlio Dinis que se podia ver ou adivinhar e eu notava. Vinhas e camélias. Prédios e mais prédios de luxo surgiram, não sei se o bispo ou a igreja venderam os terrenos, mas se o fizeram não foi um empreendimento ou favorecimento "à caridade".