Wednesday, 23 March 2022

4 dias em Lisboa - 6

Os dias que se desdobram...



Quantas vezes (me)reparo que não tiro fotografias "só" às coisas mas aos seus reflexos!


 

A "minha" boneca vislumbrada, em pé à direita: era maior que eu... e a única vez que me permitiram "sair à rua" com ela ao colo, tiveram de a carregar à vinda para casa! Mas não seria por isso que não brincava com ela, éramos todos muito poupados, até nas alegrias.


O gato posando para mim...

e, reparando naquilo que detesto, além do abandono ou ruína das casas, os escritos anárquicos, feios, nas paredes. Penso que os "sprays" não são tão baratos assim e nem escrevo o que faria se tivesse autoridade e encontrasse grupos destes em acção!

 

Pelo que procurei, penso que agora ??? estará recuperado este majestoso edifício pombalino, o Palácio Ceia, lá funcionando actualmente a Universidade Aberta. Quando ali passei estava completamente "desgastado"...



Tantas vezes o rio ao fundo, nestas colinas de Lisboa!

Nessa tarde, estava programada uma sessão no Teatro Municipal S. Luís, ir ouvir Luís Miguel Cintra (saudade de saber dele, aquela presença e aquela voz...) a ler poesia de Luísa Neto Jorge. E por falar em poesia, a estátua de Fernando Pessoa na sua praça.

Revejo o ter passado no átrio do Museu do Chiado e não o ter visitado, o que aconteceu várias vezes depois, ora pelo horário, ora por estar parcialmente fechado; e tenho muita curiosidade.com.

De novo o lugar do monstro, o Adamastor, e eu tentando fugir da multidão e ver o rio e o pôr do sol. Como Camões o descreve, na demanda de Vasco da Gama em viagem para a Índia (texto retirado da net)

Não acabava, quando ua figura

Se nos mostra no ar, robusta e válida,

De disforme e grandíssima estatura;

O rosto carregado, a barba esquálida,

Os olhos encovados, e a postura

Medonha e má e a cor terrena e pálida;

Cheios de terra e crespos os cabelos,

 A boca negra, os dentes amarelos

Vendo contudo, num canto ali mesmo, também a fealdade monstruosa do mundo de hoje, do lixo e desinteresse pelo património tão nosso


"O sentimento de Si" como o diria António Damásio e eu o pensei ao ver a senhora que seguia à minha frente, devagar...
Os pormenores deste portal, além dos motivos em pedra: rosas em relevo!
Por vezes, sinto que o (meu) coração bate "de lado"



Fim do dia e jantar com amigos do teatro e família chegada. No belo e apetecível "Kaffeehaus". Uma curiosidade que se descobriu depois de ter ido a Viena e é bom recordar os sabores e os costumes de outras paragens.



4 dias em Lisboa - 5

Andando pela cidade, sem tempo contado. Quando aqui passo, nestes dias da actualidade em repouso, reparo nas enormes distâncias que se percorreram, a pé, e a quantidade de pormenores que se observou. Estes escritos são como as crónicas que não escrevi na ocasião, apenas revendo aspectos e apontando à noite por onde se andou.

Bom acordar com limpidez azul, tão bom!

Ida para o Príncipe Real

 

Adoro o trabalho em ferro e vidro colorida desta janela avançada


Adepta do colorido dos produtos da terra, muito antes de ser moda.


Aqui me deparo com um edifício que desconhecia e agora vi que é muito belo por dentro: o Convento dos Cardaes, fundado no séc. XVII, obra social desde então, com elementos de decoração preciosos. Foi pouco danificado pelo terramoto de 1755.

Pela Rua do Século adiante


E, a propósito, a casa onde nasceu o Marquês de Pombal: reparo que muito antes de Haussmann em Paris, ele mandou reconstruir Lisboa numa geometria exacta, os quarteirões e praças, que ainda hoje são referidos como "a baixa pombalina".


Com as vicissitudes da História e a controvérsia sobre este estadista, que eu muito aprecio, rumo a outras paragens.


Monday, 21 March 2022

4 dias em Lisboa - 4

E como os dias se estendem nas voltas por Lisboa até ao inimaginável, é possível que repita muitos olhares e lugares. Há dois sítios a que se vai e irá muitas vezes: CCB e Gulbenkian. Desta vez, antes visitando o pequeno apartamento da sobrinha mais nova, no meio das ruelas com nomes do antigamente: Poço dos Negros. Li agora várias crónicas sobre esta designação e não é tão arrepiante como parece: e é recentemente um sítio muito "in" e muito "cool" (para inglês ver) que é esta mania nossa que se implantou nas meninges dos espertos, dar nomes estrangeirados a qualquer novidade. E arranjar dinheiro com "novas oportunidades": um pequeno apartamento ali, agora, está anunciado custar €65 por noite...

Do hotel, o tempo desafiava a saída
A rua "very typical" como a consideravam os mais novos...

As frentes (havia uma pequeníssima sala e um beliche...) e as traseiras, isto é, espreitando por uma fresta


Acostumada às coisas, acho-as e encontro-as com outras luzes


(Re)visitando o brilho das oliveiras

Esta peça era curiosa: uma superfície redonda feita com cápsulas de balas cor de cobre

Coloridos os anúncios com peças interessantes de outras paragens. Não me detenho a ver os nomes mas reconheço figuras de artistas conhecidos.


4 dias em Lisboa - 3

Olhando os bonecos estrambólicos expostos no jardim, se percebe que estamos a chegar ao Museu do Teatro Lembro-me do primeiro teatro, no ginásio do liceu Carolina: o "Auto de Gil Vicente".


Sem esquecer o lápis implacável da Censura do tempo salazarento, os cérebros tacanhos que nos obrigavam a andar vestidos ou mascarados de roupagens inócuas,



ou a enganá-los com fábulas


Esta é uma fotografia de que gosto muito e me exprime, hoje ainda mais que nessa altura em que a captei. Feita de silêncios, distâncias, segredos, desejos e prisões





Uma tarde bonita, Fevereiro tinha camélias.

Na saída.