Sunday, 12 November 2023

Férias no Meco II

Tivemos o privilégio de ir a Lisboa e estar presentes na cerimónia pública, realizada no largo em frente à Fundação José Saramago/Casa dos Bicos. Logo após a deposição de parte das cinzas do escritor junto à oliveira escolhida, que veio da Azinhaga. Todas as palavras dele são para mim como uma Bíblia, de ideias, factos e intenções. Ler e fotografar tudo era quase impossível, havia muita gente ali reunida para a homenagem, pessoas que reconheci, artistas, escritores e a própria Pilar del Rio.

Comovente e directo, o seu discurso de palavras sobre Lisboa: se os autarcas o lessem e praticassem...



De flores brancas e de cravos vermelhos. De palavras. No livro "As pequenas memórias", escreve: "o que não sei é onde se irão meter os lagartos." O que diz e pensa a propósito do arranque das velhas oliveiras para as substituir por cultivo intensivo.





Amarrados às emoções
E as incongruências de Lisboa que se viram: a beleza de um palacete de 1864. Que agora é hotel (de luxo, claro). Abaixo, o Chafariz d'Elrei, o primeiro chafariz público de Lisboa, séc. XIII, aproveitando as águas que ali desaguavam da encosta de Alfama. Com 9 bicas onde se abasteciam as diversas camadas sociais da cidade (cristã, moura e escrava) desse tempo. A seguir, a bonita fachada clássica de uma velha "hospedaria"

O Tejo ali tão perto...

Onde repousam os olhos marinheiros dos que ali chegavam.



Friday, 10 November 2023

Férias no Meco 1

Começar a visitar a lembrança do que se viu/sentiu


O que era muito bom: sossego, ver verde, poder ir pelos montes arenosos adiante, o fim do dia. O que era um gasto excessivo ou escusado: ir de carro, para a praia que era algo longe, e o que se pagava nos "parques" atamancados que por lá havia. 

Falo do belo...



Há que tempos não via um espantalho destes, numa horta! Faziam-se nos anos 60, lá pelo quintal. Uma autêntica miragem boa e ecológica. Assim os pássaros se deixem enganar...



Por ali perto, no restaurante do jantar, as flores, a comida e o que se via na esplanada



Lugares que se guardam.


Wednesday, 8 November 2023

Temporada no Meco, e derivados daí...

Durante décadas... andei de olho atento "à procura de pechinchas", coisas simples e económicas, com vistas... fora da época alta, para alugar, em férias ou para uma mudança de sítio. Tentando encontrar gente normal que simplesmente confiasse no meu desejo e honestidade. Encontrei de tudo e mais alguma coisa. Devo ter fotos e apontamentos de muitos sinais deste género e certamente é um assunto que repito, de cada vez que me lembro disso. Apenas deixo como amostra estas tábuas manuais...que as coisas estão agora espalhadas na internet e nos sites de negócios. Engraçado que me lembrei neste momento do dito antigo: "um negócio da China"! Não sei bem porquê que não havia lojas de chineses como agora: os que conheci vendiam apenas gravatas pela zona da Batalha, com um expositor pendurado ao pescoço. As coisas que se encaixam nestas revoluções do cérebro e do século!


Estas férias perto da praia do Meco - denominada Praia do Moinho de Baixo! - foram assim acontecidas: passei numa confeitaria e vi um anúncio, um número de telefone e um nome. Nunca cheguei a encontrar "a doutora-dona", com um andar fabuloso e cheio de coisas bonitas, roupas antigas bordadas... Tudo se passou e pagou sem pessoas físicas, apenas nomes e pagamentos nos bancos respectivos. Recordo de, como sempre se faz com que aconteça, se ter arranjado um lugar que permitiu muitas voltas em volta e encontros com família e amigos. As minhas partilhas. Soltas.

Passagem por Almeirim, desvio para um lugar de que gostamos, apesar dos touros e cartazes deles

Os verdes dos arrozais no caminho
Algo da casa que irá aparecer mais vezes e noutros aspectos. Não tinha elevador e situava-se no 2º e 3º andares. Tinha era um terraço adorável, vistas verdes, portanto toca a carregar os pertences.




Pelas estraditas poeirentas, procurando o restaurante que se conheceu antes, virado ao "todo mar"
Não podia faltar "um" por do sol

 

O dia seguinte azul, depois das compras de casa e para as refeições nela

E lá estava o mar, as enormes ondas, o vento, a outra margem de Lisboa ao longe

Pois, sou capaz de ficar longos momentos presa ao desfiar das águas, às cores



Mas, agora lembro ao ver esta agitação e força das águas, foi ali mesmo que decorridos dois anos, em Dezembro de 2013, morreram 6 estudantes, em praxes académicas estúpidas. Casos obscuros destas justiças caseiras.



Ao procurar no mapa descrições dos lugares que revejo - um encore nas minhas deambulações actuais - tantas casas, alojamentos, restaurantes, estão diferentes...

Uns envelheceram outros renovaram-se, totalmente virados para o "turismo" de classe média-alta e muito alta e, como se diz agora, arrecadar dele. Um passado que tão bem conheci há mais de 50 anos e que se repete, sem pudor e sem lei que o questione.