Friday, 24 October 2025

Os dois parentesis do início do ano 2012

Havia uma ponte entre nós, tantas vezes atravessada com inúmeras dificuldades. Da infância, à juventude, à maturidade. 

É este intervalo nas minhascoisassoltas que aqui quero referir. Muito antes, mas desde Fevereiro até fim de Maio desse ano, as horas difíceis sucederam-se como se fosse um deslizamento de terras, imparável e aterrorizante. Os meus pais morreram com alguns meses de intervalo. Acompanhá-los anos, nas doenças e em separado, nesses meses foi muito mais difícil.

Apenas lembro. As ruas cruzadas uma vez mais. Pareceu-me que tudo acabava num início, perto do lugar onde nasci e por onde andei. As janelas dos lugares e dos pensamentos.





Um turbilhão e as ruas que conheço desde sempre. Os amigos de tantas saídas e festas? Desapareceram.

Acabaram as perguntas. Foram-se de nós, no silêncio: ela com camélias, ele com "As Danças Guerreiras do Príncipe Igor". A homenagem que lhes ofereci.

   

No Algarve 2012

Chegada e instalação, sempre demorada para que o sítio se pareça connosco. Escolho algumas desses dias de praia e visões. Em todos os anos a seguir serão idênticas: era um lugar bom!


 De tantas vezes que ali vi o pôr do sol

Nesse dia apanhei conquilhas na maré baixa e fiz arroz em casa, com mais uns precisos comprados no supermercado. Mas é claro que o que me deu gosto foi andar curvada a fazer buracos na areia e a encontrar as conchinhas entre os pés.



 

Andou-se muito pela areia até ao extremo da Ria Formosa, do lado sul, onde nunca se tinha ido. É tudo mais selvagem, descuidada a água que traz e leva, deixando na passagem as suas marcas incansáveis. Tantas coisas que gostaria de transportar para "um quintal"...

Fui procurar o nome destas aves que vi e irei ver muitas vezes, em pequenos bandos inquietos. Desisti, há imensas espécies tão parecidas que só um ornitológico dedicado as poderá nomear

 O lado do mar bravo

O extremo da ria

Aqui termina mesmo a água doce
E peixes que, penso, morreram de morte natural
E as pedras
Pensei que não podendo transportá-las como fiz durante anos, ao menos fotografava a sua textura, o que diziam as incrustações de séculos???

Os restos dos bichos ou moluscos que nem conheço

Em casa, deliciada com as rosas, hastes bravas dos campos e heras dos muros, o que fazia em férias sempre que possível
E outro hábito que tive todos os anos: observar as andorinhas a reconstruir os seus ninhos

Para jantar, fomos a um tasco no monte. É um espanto a quantidade de nomes estranhos que pelo interior do Algarve encontrei. Geralmente fotografava-os.




Assim terminou, em flores de cores fortes e céus ténues, o dia. 

 

 

Wednesday, 22 October 2025

Para o Algarve 2012 - 5

Ainda se estava longe, tempo contado e terras para ver ou apenas espreitar, pelo caminho.

Alter do Chão 

 

Fronteira


Os campos, os belos campos, a correr ao lado, para trás de nós... 


 Monsaraz e a sua visão, sempre longa, sempre diferente


Por lá se andou um pouco, é lugar onde se torna com gosto

E lembro-me bem da paisagem anterior, anos 90?: parou-se numa estrada onde construíam uma ponte, e agora é apenas água da barragem do Alqueva. Impossível imaginar a diferença. 



Passando ao largo de Mértola, atravessando o Guadiana

 

E chegando ao fim da viagem: passados anos os pinheiros do parque estarão crescidos, mais altos do que uma pessoa, os aldeamentos multiplicaram-se, bem como o movimento. Esse ano foi muito sossegado.

Por curiosidade, fui procurar "este ano": aqui está uma perspectiva do parque agora. Com um contra: desapareceram os chuveiros e lava-pés, não há casas de banho, tem que se ir ao lado do restaurante!... Parece impossível que isto aconteça numa praia tão movimentada e com "pedigree"


É certo que o mar lá está, ainda, uma sinfonia de sons e tons, repetida. 

Não se sabe bem porquê, ou são demasiadas razões: é tudo, e nós, diferentes. 

 

 

Para o Algarve - 2012 - Castelo de Vide 4

Com o dia a anunciar-se fosco, mesmo assim se passeou e subiu ao monte de S. Paulo onde a partir da Ermida de Nª Sª da Penha se tem um vista deslumbrante sobre Castelo de Vide e mais além.

Uma grande subida com muitas pedras...


Descemos para a vila para almoçar os típicos pratos alentejanos

e passear, os jardins,
a casa de esquina com todos o requinte da Arte Nova
O castelo medieval

O verde-velho de vários cambiantes, quando se vinha ao postigo: uma porta bonita. E a seguir, a nota da Porta da Vila



Descendo pelas ruas medievais, observando as entradas das casas do bairro da judiaria que ali se instalou pelo séc. XIV


A sinagoga pode ser visitada, já o tínhamos feito há tempos e haveremos de o fazer anos mais tarde. É uma reconstrução histórica de um passado com outras culturas, e cultos, que nada têm a ver com o presente. Onde as religiões se guerreiam sem se respeitar a diversidade.