Saturday, 9 December 2017

Holanda

Um lugar que me curiositava (com curiosidade levitava) cá dentro, há anos. Por ser nórdico, pelos canais, por ouvir amigos falar dele, pela espécie de liberdade regrada que me contavam. Por ter lido os livros de Rentes de Carvalho e ficar algo perplexa.
Comerciantes, marinheiros rapaces, ciosos do seu mundo-aumentado à custa do controlado mar do Norte, lapidadores de diamantes e delapidadores de conquistas dos outros, era o que pensava. Contudo, aumentei o conhecimento e compus outras figurações depois da visita, confesso, porque sempre em busca de beleza, estética e apreciando outras formas de vida.
E qualidade de vida têm eles!
Encontrar a viagem acessível, por uma agência de viagens, em grupo, foi um acaso: 4 dias intensos. Melhor que nada, se pensou!|
1º problema, vivido com enfado: não há avião directo, há tempos que estabeleceram tipo táxi-aéreo, do nosso belo aeroporto do Porto para Lisboa, aquela confusão, pretensamente moderno - digo eu, que o conhecia antes e fui vendo os acrescentos.
Aeroporto do Porto às 3 a tal manhã, com lua
 Mas reviver é melhor que "ir vivendo" as madrugadas e os cansaços...

E como sempre me encanta a Terra, o estar acima das coisas, das gentes a acordar... O nascer a leste, que este país é um simples pedaço de terra, tão sisudo, tão estreito e tão virado ao mar: os rios vêm da terra e dirigem-se para o sorriso das ondas, os dentes das rochas,
os rios de desenho,
a ponte grande,
a ponte da cidade, o mapa
o aqueduto das Águas Livres, gracioso

4 horas no desvão do aeroporto, enquanto o sol se espraiava
e já no ar, pelos Pirinéus adiante (julgo, pelas horas),

De vislumbre, dos Países Baixos


as cores que sabia serem de campos de tulipas,
a chegada ao aeroporto, a andar, a andar,

já poder vê-las, as tulipas do país delas, aeroporto de Schipol, (em vez de galos de Barcelos, vinho do Porto e filigranas...)
cá fora,

os encontros coloridos.
Juntar o grupo e eu sempre a prevaricar do ajuntamento... Um autocarro para desconhecidos, a conhecer por 3 dias, como rebanho a esmo. Quem somos?


Friday, 8 December 2017

Serpa VI - Estradas com bichos dentro

Bom dia, manhã! Com flores da cor que eu gosto (mas gostaria, aqui, de qualquer uma!).

Vejo os campos na mesma estrada, a luz é diferente, ou eu que a julgo, em outra hora do dia.

Em menos de um minuto, verifiquei agora, tirei 3 fotografias seguidas: rapidamente as perdizes se foram... têm tanta graça neste atravessar "a rua"!




Quanto eu não daria para ir "conversar" com as pessoas que ali vivem...


Dois amantes de cabeças juntas, a murmurar o que nem a terra nem o céu, ouvem.
Adoro estas casas, ali, de franca porta e buganvília alegre e pronta, abanando os seus cachos como em saudação

Para um curto almoço, rumo a Vila Verde da Raia


Entre oliveiras, de orelhas atentas, os veados,
mãe e filho,


Será o mesmo galaroz de ano passado? A casa é, está lá ainda agora (2017).

Ao lado, a Lua, em frente o terreno que namoro...
um espantalho caseiro,
e ir jantar a Pias!

o belo pão alentejano, uma açorda com coentros


Se de um lado o verde ainda,
do outro, o adeus das folhas lembrando o Outono.
Voltarei.

Wednesday, 29 November 2017

Serpa V - Para Aracena

Como "era já ali perto..." nada nos preparou para um caminho longo, mas que valeu a pena.


Aracena: uma pequena cidade com algo de mourisco, aninhada num parque natural, área protegida, entre a Serra Morena e Picos de Aroche.



As grutas ficam mesmo por baixo das construções, com uma entrada tipo museu "mas descendo" logo a seguir, 

A descrição remete-nos, mas vagamente, para o mundo alucinante nas profundezas, das abóbadas e vales, das rochas de formas caprichosas, e água, com vários níveis e "salas": só vendo e escutando.
Uma fila de gente teve de esperar pela saída de outros e, para minha desilusão, era proibido tirar fotografias. Percebi depois porquê, quando os fotógrafos "encartados" nos tiraram fotos e as ofereceram, à saída, por um valor exorbitante. De resto, há postais e variadas lembranças nas lojas à volta. Mas é evidente que tive "de comprar" uma, saindo com caras de toupeira e meios curvados...




Portanto, eram grutas de maravilha, sim, com passagens e efeitos de luz fantasiosas. Um destino turístico de que nunca tinha ouvido falar! Em vez de se fazer o mesmo caminho de volta, seguimos para norte,





sabendo que "lá", onde se põe o Sol, é a caminho de Portugal e o seu mar Atlântico. Não há que enganar! Mas só depois com o mapa, se viu a volta que se deu,


E não sei que me deu para lembrar, agora mesmo (tantas outras ocasiões há...), a "Nau Catrineta" do meu liceu:
"Acima, acima gageiro / Acima ao tope real / Olha se enxergas Espanha / Areias de Portugal."

tentando entrar por Barrancos e espreitar um monumento, ou ruína dele, que me andava há anos a tentar. 

Pergunta-se, está a escurecer na raia, por trás dos montes: "passando esta ponte, é logo ali!" e eu, esperançada...
Sem mais indicações e por um caminho onde até era difícil dar a volta, a noite enegrecia tudo e parecia respirar como gente ou animal, quando se parava: ficou-se entre pedras e ameaças escuras, sabe-se lá onde ???, e voltamos para Barrancos, deserta. Tivemos sorte em comer um pão e chouriço, num café, que restaurante não foi.