Sunday, 19 February 2017

O Alentejo V - As olarias de Brotas

Há uma tradição de oleiros na região, gente antiga que foi desaparecendo. Creio que agora há apenas uma, regional, mais a lojinha ao lado da igreja, com outros motivos mais modernos mas perpetuando desenhos e motivos próprios do Alentejo. Esta senhora tem uma arte delicada e imaginativa, além saber da História local, e ser de uma extrema simplicidade.







A olaria antiga, entregue agora a um casal jovem




E chegava o fim do dia e uma lua de fadas sobre a paz das ruas

Saturday, 18 February 2017

O Alentejo IV - Brotas


Há mais de 50 anos que tenho "livralhada" e apontamentos sobre os caminhos e terras portuguesas. Muitas vezes recorri às descrições antigas para encontrar o que (me)é sempre novo: lembro-me de procurarmos um túmulo ??? do neolítico, entre propriedades privadas e caminhos que indicavam "vende-se porcos"!!! Não havia sinais da necrópole de Alcalar, agora já suficientemente conhecida. Nessa altura, inícios dos anos 80, descobrimos também o poeta árabe Ibne Amar/Estômbar e uma gruta que os mais afoitos do grupo espreitaram de bruços. Hoje leio que já foi explorada e fotografada. Mas a emoção de andar "à procura" é inalterável no tempo!
Por isso, tendo lido há anos sobre a aldeia de Brotas, este foi um belo encontro, estando na zona. A lenda que envolve este local, sendo a ermida inicial de cerca do séc. XV, é encantadora.












A pequena estátua de Nª Srª de Brotas










Mais uma vez, foi a simpatia hospitaleira da senhora que tem a sua loja de barros ao lado, que nos permitiu visitá-la e seguir a sua descrição da igreja, azulejos etc, bem documentada.


Friday, 17 February 2017

O Alentejo III

Dos caminhos para o Couço, das diferenças. Da primeira vez era Maio, um mês total de flores e cheiros, de cores luminosas e sabores imaginados.
Que tantas vezes dá vontade de ir na diagonal, sair das perpendiculares, torcer pelos nomes desconhecidos adentro, além do Tejo
(para lá destas janelas quase cegas das traseiras, das luzes infernais das ruas e carros à frente, tantos anos-caminhos-carinhos cruzados; fechar, fechar e pairar noutros lugares)

Pousava-lhe a cegonha, na Ponte da Raposa

Os campos perto da estrada velha estavam tão doces!

E a sopa de cação ali encontrada, na sua simplicidade de pão rústico, peixe do rio e salpicada de ervas de cheiro, os coentros alentejanos.

Desta vez - voltar ao sítio onde fomos felizes! - era uns anos depois, Setembro, a cegonha não estava mas deixou o rasto da beleza








e, no mesmo sítio, amável e de gente da terra despretensiosa, o prato do dia era "pézinhos de coentrada".


Wednesday, 15 February 2017

O Alentejo II

Os preâmbulos da visita à Casa Museu Manuel Ribeiro de Pavia foram interessantes: ainda dentro do horário anunciado, a porta fechada e não estava ninguém. Falou-se com as pessoas sentadas no largo que sugeriram que se fosse à Junta de Freguesia perguntar. A senhora que toma conta da casa tinha ido buscar a filha à escola mas a prestável funcionária da junta, vendo o interesse e "de longe" que íamos, ofereceu-se para abrir a porta e deixar-nos entrar e ver. Uma simpatia de gentes que raramente se encontra.
As imagens falam.





Alves Redol, Manuel da Fonseca, Fernando Namora (que ali viveu alguns anos como médico), tantos os nomes e ilustrações de livros que relembrei!

E, apesar da dureza dos tempos, há como que uma linguagem poética no tratamento das figuras











Estes motivos vegetais e estas mensagens dos olhos e posturas










Estas lágrimas que a luz fez aparecer, num dos rostos que me lembrou as jornas, os ganhões, os sem terra, os grupos que se juntavam no largo das vilas e aldeias, para serem escolhidos pelo agrário-proprietário para o trabalho no campo.  De sol a sol.






Publicado em 1939!


Saí muito comovida.
Gostaria de reler tantos livros...