Os Museus Capitolini são afinal, dois palácios: o Palazzo Nuovo e o Palazzo dei Conservatori, ligados por uma galeria subterrânea. Nesta galeria estão expostas estelas e monumentos funerários (e eu sabia que ia passar sem grande atenção/tempo até porque conheço exemplares magníficos no Museu de Odrinhas ou em Mérida).
Mesmo assim, encantaram-me estes pés votivos.
Os tectos são tão preciosos como o que é exposto: impossível reter o céu - anjos, demónios, santos, guerreiros - das pinturas, das esculturas, os "trompe d'oeil", o gesso como a renda, os trabalhos em madeira.
As estátuas olham-nos com os seus olhos aparentemente vazios: e contudo sente-se o olhar dos séculos, dos deuses, dos aristocratas, dos filósofos, das crianças. O que é espantoso de perceber na passagem, olhares que nos fitam de perto: afinal é pedra trabalhada, tomada forma há tantos séculos. Que nos dizem da vida antiga, estas órbitas cegas?
Iria jurar que os senti graves, duros, inquietos, alegres, sedutores, aguerridos, travessos ou ternos.