Um outro ano, um regresso sempre
de Maio e de Setembro, a ilusão de pertencer ora ao lado donde nasce o sol (de Espanha) ou ao lado donde se põe, onde me fico a norte no resto do ano, o nosso mar Atlântico mais ocidental.
Um melro de Maio
um manjerico de Junho
Uma Lua que anuncia o solstício de Verão
Os azuis de Cacela Velha
O atravessar
Reconto as conchas, pequenas conchas que já não tenho lugar para as grandes. Tiro fotografias às pedras para não as carregar.
Os caprichos das nuvens, sempre diferentes
Sinto-me encontrada num mar-de-céu em chamas
ou numa Lua ainda escondida
Espreito o vôo dos flamingos, reconheço-os pela elegância de me parecerem notas musicais numa sinfonia azul-claro
e as ervas, as ervas com que perfumo os dias e as saladas
Até voarem para o sapal as últimas aves e restarem os recortes da noite anunciada.
Thursday, 2 August 2018
Wednesday, 1 August 2018
Cacela Velha II
Voltam os anos, voltam as flores, regressam as cores.
Maio é também mês de aniversário e sim, pessoas que mal conheço dão-me flores.
Quando abandonam a vila velha, os carros, as gentes, há um sossego de meias luzes que é das paisagens mais lindas que conheço. Falam as pedras, devagar.
Tendo o rosado e o amarelo em casa e no céu
Encontrar rosas-salmão entre redes antigas
Era tempo de apetites, a lembrança dos campos atravessados, os pincéis que todo o ano repousam no imaginário enclausurado.
Encontrar brancos entre o cheiro das frésias
E voltar, no Setembro de todos os projectos antes de Inverno
Houve um eclipse da Lua que seguimos de madrugada, horas (não) perdidas a olhar o céu
E depois, todos os poentes para os lados de Cacela Velha.
As duas primeiras com intervalo entre elas
de 10 minutos.
Vermelhos, ver-melhor-os-vermelhos
De todos os dias, as diferenças...
e dizer "adeus, voltarei". O que tem a re-memória do passado é que conhecemos o futuro dele.
Maio é também mês de aniversário e sim, pessoas que mal conheço dão-me flores.
Quando abandonam a vila velha, os carros, as gentes, há um sossego de meias luzes que é das paisagens mais lindas que conheço. Falam as pedras, devagar.
Tendo o rosado e o amarelo em casa e no céu
Encontrar rosas-salmão entre redes antigas
Era tempo de apetites, a lembrança dos campos atravessados, os pincéis que todo o ano repousam no imaginário enclausurado.
Encontrar brancos entre o cheiro das frésias
E voltar, no Setembro de todos os projectos antes de Inverno
Houve um eclipse da Lua que seguimos de madrugada, horas (não) perdidas a olhar o céu
E depois, todos os poentes para os lados de Cacela Velha.
As duas primeiras com intervalo entre elas
de 10 minutos.
Vermelhos, ver-melhor-os-vermelhos
De todos os dias, as diferenças...
e dizer "adeus, voltarei". O que tem a re-memória do passado é que conhecemos o futuro dele.
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Cacela flores 2015
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