Thursday, 2 August 2018

Cacela Velha III

Um outro ano, um regresso sempre
de Maio e de Setembro, a ilusão de pertencer ora ao lado donde nasce o sol (de Espanha) ou ao lado donde se põe, onde me fico a norte no resto do ano, o nosso mar Atlântico mais ocidental.


Um melro de Maio

um manjerico de Junho



Uma Lua que anuncia o solstício de Verão



Os azuis de Cacela Velha

 O atravessar

Reconto as conchas, pequenas conchas que já não tenho lugar para as grandes. Tiro fotografias às pedras para não as carregar.

Os caprichos das nuvens, sempre diferentes




Sinto-me encontrada num mar-de-céu em chamas

ou numa Lua ainda escondida

Espreito o vôo dos flamingos, reconheço-os pela elegância de me parecerem notas musicais numa sinfonia azul-claro
e as ervas, as ervas com que perfumo os dias e as saladas


Até voarem para o sapal as últimas aves e restarem os recortes da noite anunciada.

Wednesday, 1 August 2018

Cacela Velha II

Voltam os anos, voltam as flores, regressam as cores.
Maio é também mês de aniversário e sim, pessoas que mal conheço dão-me flores.

Quando abandonam a vila velha, os carros, as gentes, há um sossego de meias luzes que é das paisagens mais lindas que conheço. Falam as pedras, devagar.

Tendo o rosado e o amarelo em casa e no céu

Encontrar rosas-salmão entre redes antigas

Era tempo de apetites, a lembrança dos campos atravessados, os pincéis que todo o ano repousam no imaginário enclausurado.

Encontrar brancos entre o cheiro das frésias



E voltar, no Setembro de todos os projectos antes de Inverno





Houve um eclipse da Lua que seguimos de madrugada, horas (não) perdidas a olhar o céu



E depois, todos os poentes para os lados de Cacela Velha.
As duas primeiras com intervalo entre elas
de 10 minutos.




Vermelhos, ver-melhor-os-vermelhos


De todos os dias, as diferenças...
e dizer "adeus, voltarei". O que tem a re-memória do passado é que conhecemos o futuro dele.