Tuesday, 21 December 2021

Sobral e arredores XVI - Salinas

Nunca tinha visto a terra do sal assim, tão em pormenor e tão perto. Foi parte do dia circulando no dédalo dos caminhos, dedicado às salinas, ao seu brilho, aos cristais, ao trabalho de os recolher, como se de pedaços de vidro um jardim houvera.










As cores e a reverberação das águas. Uma terra em água fértil.



Seguindo até à antiga fábrica de conservas, agora um hotel, que mais tarde terei oportunidade de visitar. Este perfeitamente enquadrado na paisagem da ria


O Forte do Rato, ou de Stº António de Tavira, mandado construir no reinado de D. Sebastião, para proteger a foz do rio Gilão. As ruínas estão num estado deplorável.

Mas, como as pedras me falam, vou-as ouvindo!


Sunday, 19 December 2021

Sobral e arredores XV

Agora, a ria e as suas faces, de riso espalhado, espelhado. Vai "fermosa" e parece segura...



Quantas vezes depois (lhe) hei-de espreitar os pássaros, os inúmeros regatos na maré vaza, a passagem de barco e a pé, a paisagem para Cacela Velha, os peixes a saltar, as conchas, os caranguejos, as ondas do lado do mar, as cores e os reflexos desse lugar de encanto...










De saída,

entre rosas, alfazemas e alecrim.


Friday, 17 December 2021

Sobral e arredores XIV

Anda-se em volta, lêem-se as indicações do que se vai vendo. Agora todas as placas estão irreconhecíveis, estragadas e "pichadas". Nesse tempo ainda se puderam seguir, aprender os sinais:







Ao lado do cemitério, como se os espíritos tocassem uma ligeira melodia ao sabor da brisa

Pequenas coisas que completam o olhar sem o agredir. 

Vou aos gatos... Este, curioso, andou a seguir-nos pelo seu território de silêncio




Enquanto se descia a muralha ao lado do forte, lá estava ele vigilante. Os cactos, também!



Parece-me um sonho ter visto tudo isto, sem pressas, sem multidões, sem cansaço...



Sobral e arredores XIII

Começar com um lugar que estimo, muito anos 70, muito "um calhamaço" j.pimenta na paisagem. Mas está lá e todo o mal fosse esse! Outras tropelias se vão fazendo pelos anos adiante (e dando menos na vista), estragando aquela costa tão especial. Claro que para mim ficar num quarto de hotel, com mordomias, desocupada de trabalhos vários, jardim, terraço e ampla vista de mar, no 9º ou 10º andar, era um sonho... Ou seja, como se dizia antigamente, "outro galo cantaria"!



 

Ver com detalhe, descer, subir, à ainda bela Cacela Velha. E, como lamentavelmente pude ir vendo pelas visitas anos mais tarde, a seguir tudo se vai degradando. Ainda bem que tenho estas fotografias que tanto gosto me dão rever. A aldeiazinha - chamo-lhe o que me parece - foi-se construindo à sombra de um forte de defesa e observação, reedificado depois do terramoto de 1755. Antes, diz-se ter sido um castelo mouro e há vestígios de um bairro islâmico. E as escavações há já alguns anos indicam essa ocupação: o último registo de trabalhos de arqueologia é do Verão de 2019. Todavia, vejo tudo agora (2021) tão abandonado, devastado, arrasado, plantado com que "lhes" dá na real gana... Penso eu que os terrenos que restam junto à ria Formosa deveriam preservar-se porque é uma zona húmida única, de vegetação e habitat.

Sei que há uma associação, a ADRIP, que tem dinamizado a conservação deste património tão especial. Oxalá consigam travar "o comércio" de plantações e estufas e gente e carros e feirantes, de que tenho observado a evolução de uma forma anárquica, selvagem e suja.




Cacela Velha tem esta particularidade que me encanta: Poesia pelas ruas, poetas portugueses e nomes árabes. Falta Teresa Rita Lopes e Sophia de Mello Breyner Andresen que diz (mas não ficou nítida a fotografia):

"As praças fortes foram conquistadas

Por seu poder e foram sitiadas

As cidade do mar pela riqueza

Porém Cacela

Foi desejada só pela beleza."






Hei-de ter o privilégio de lá ir anos mais tarde, com a comemoração da Poesia na Rua, nas ruas, no largo e dentro do forte. E vou com certeza descrever uma vez mais esses momentossoltos belos.