Monday, 3 January 2022

Em Lisboa, porque sim... III

Ainda nas curvas serenas dos objectos, fúteis e tão belos! e nas meias luzes dos candeeiros. Será difícil não repetir olhares ou recantos.















Esta sereiazinha em transformação, com bebé ao colo, em cima de uma tartaruga, foi uma das peças de que andei à volta, pela sensação de terno movimento num lugar distante, uma praia de paraíso e águas mornas, das que a gente ouve falar, no longe dos oceanos


A colocação dos tapetes, dos móveis, e a posição dos objectos, os cantos, cores  e planos escolhidos, são magníficos. Imagino a sensação de os desembrulhar, um a um, de os pôr aqui ou ali, nunca "um acaso" mas uma opção de seduzir os nossos sentidos.


Em Lisboa, porque sim...

Seguem-se os vidros, as claridades, os cambiantes. As cerâmicas pintadas com um requinte que nos prende o olhar.

Recordei-me agora de umas poucas miniaturas de animaizinhos que me deram, era eu muito pequena, seriam da Marinha Grande: o meu espanto das formas e das transparências, que eu só conhecia garrafas ou copos em vidro! Começo com o que reconheci: R. Lalique, a jarra 1935 e o relógio 1936.


Uma ideia tão interessante: creio chamar-se "A noite e o dia", de acordo com as figuras esvoaçantes





Os pormenores são extraordinários, não cabem aqui tantos: os materiais, os translúcidos e os opacos, a leveza dos desenhos, símbolos que se adivinham



Esta do mar, do corpo na curva da vaga, dos pequenos animais, é um espanto de minúcia e delicadeza

Mas que pena, o pouco tempo e o pouco modo de colher as formas...




Só mesmo uma paixão, pelas artes, pela humanidade, por outra pessoa, nos move para diferentes  caminhos que não os do trivial. 



Saturday, 1 January 2022

Em Lisboa, porque sim... I

Folheei brevemente o livro editado aquando da exposição "What a wonderful world", no Centro das Artes Casa das Musas, na Calheta, Madeira, em 2010/2011. É uma bela obra, consultei-a depois aqui na net e muito me apeteceu tê-la, fazendo companhia na preciosa estante dos meus livros de "museus" e de Arte. É profusamente ilustrado com peças da colecção e explicações de acontecimentos da época, e dos artistas. Impossível verificar quem e quando... a minha vida "é pequena" - e é modestamente limitada -  para tantas coisas que me interessam. Em lista apenas a visão do que me atraiu.

Das esculturas





Esta expressão da jovem e num corredor, ao fundo, contra a janela!



De objectos decorativos de pequeno formato, aprendo a linguagem dos braços e das mãos, as posições do corpo. Era, sem dúvida, uma época de alegre euforia. Foi-o antes da I Grande Guerra e no intervalo até à II Guerra Mundial.

 

Em Lisboa, porque sim...

Salto em frente uma data de anos, de 2009 a 2021, hei-de voltar às "outras viagens" antigas. 

Em Setembro e numa ida ao belo Sul, tivemos oportunidade de parar um "bocadinho" em Lisboa, com todas as precauções e mais algumas. Ver os meus, brincar, rir e sorrir com a menina. E andava com um grande "algo" em pensamento além, de um encontro com amiga. Uma amiga de gostos e ideias. Como propósito e de pretexto, ver o B-MAD, em Alcântara. Já fiz uma explicação e fotografias da entrada do Museu, no meu bettips, não aguentava guardar a beleza das coisas, mas neste lugar me espraio...

Tinha de as rever aqui, no conforto e no distanciamento, apreciar em pormenor o que ali foi visto de corrida. Nada substitui ver mas, para mim, é delicioso andar aqui no vagar dos meus olhos e pensamentos. E tantas informações encontro, complementares do que apenas afloro em visitas. Um privilégio duplo. É um dado adquirido, e certo, que admiro as obras dos museus, caves, pedras, azulejos e estatuária, conservadas e expostas pelo Comendador José Berardo, para os que as queiram apreciar. Porque, porque. Neste momento, nem me apetece tal discussão, com ninguém mesmo. Apenas me lembro que em anos passados fui a todos estes lugares maravilhosos e inesquecíveis - menos à Madeira:

Colecção Berardo, no CCB, Lisboa; Aliança Underground Museum, Anadia; Palácio e Quinta da Bacalhôa, Azeitão; Quinta dos Loridos Buddha Eden, Bombarral (que, mesmo a fingir, é "só" o maior jardim oriental da Europa...); Museu Berardo, em Estremoz; B-MAD, Lisboa, este último que vou (re)visitar em imagens, agora. 

Arte Nova, Arte Deco. Sei por alto algo das diferenças, das linhas sinuosas e arrebatadas da Natureza de uma, depuradas e longilíneas de outra: não sei de qual gosto mais. Sempre tive um fascínio antigo e inexplicável por algumas "das artes" (por exemplo, a arte egípcia, a oriental, a gótica, a mourisca) e, neste caso especial, as da viragem dos anos 1800/1900. 

A visita é guiada e apenas num grupo restrito, o que se compreende pela natureza frágil das obras da exposição. O edifício do Museu situa-se num palacete antigo recuperado, mesmo por baixo da Ponte 25 de Abril. As escadarias, salas, corredores e quartos, são um desdobramento de deslumbramento! 

Passo às fotografias das obras, no seguimento de as ter notado, com amor por tê-las visto, e sem a preocupação de as definir, a não ser pela beleza:

A entrada e escadas para o primeiro piso, os apontamentos de mármores e azulejos de Estremoz que reconheço





 


 

O pequeno terraço, a ponte sobre ele, os ruídos pesados: mas mesmo assim, um canto tão agradável!





 







A liberdade de pensar, de ver o belo,

espreitando por uma nesga da vida.