Monday, 14 March 2022

Lisboa - Ano 2010 - Casa do Alentejo

Para nos juntarmos, pessoas que mal ou bem se conheceram neste mundo internético, organizou-se um encontro e jantar na Casa do Alentejo. De caminho, ainda tivemos tempo para visitar um bar irlandês perto do Cais do Sodré, o O'Gillins. E no passeio se fez tempo para o extraordinário edifício e ajuntamento pessoal. De quem muito ama o Alentejo.

Confesso a minha curiosidade "antiga" por visitar esta casa. Há notícia de ter sido edificada no séc. XVI, depois pertenceu aos viscondes de Alverca, tendo sido muito modificada no início de 1900. Daí a profusão de elementos decorativos de tantas origens. Fiquei completamente encantada, pelos corredores e salas adiante. Dos azulejos da sala onde se jantou, da refeição que por acaso não foi nada de especial, tenho poucas fotografias, visto que me foi mais importante o convívio.


Mas sem dúvida que os motivos árabes casam bem com aquele ambiente faustoso. Donos das herdades em tempos outros, combinando as suas colheitas e tertúlias. Calculo que depois do 25 de Abril se lhe juntaram elementos mais terra a terra.


Não fazia ideia...




Do átrio às salas, dos tectos, às paredes, às mobílias, ao chão, às pinturas e esculturas, verdadeiramente um tesouro!





Os sinais de presenças antigas no aspecto usado das cadeiras



Graciosidade e sensualidade atractivas





Saturday, 12 March 2022

Lisboa - Ano 2010 - Cordoaria Nacional

Sobre a exposição do fotógrafo cubano Korda (Alberto Diaz Gutiérrez, 1928-2001), na Cordoaria Nacional, levava de casa um dos meus "talvez" apontamentos. Pouco conhecia do seu trabalho - a não ser há muitos anos o retrato do Che que até em Londres nos anos 70 nos acompanhou - mas nesta exposição pude confirmar e alargar o meu conhecimento da sua obra. Nomeadamente quando trabalhou com modelos, mulheres de rua e da moda que ele muito apreciava, ou da revolução, que seguiu passo a passo. Daí estes olhares apaixonados que pude ver e fotografar: com o distanciamento de 50 anos e o conhecimento de outras décadas que lhe sucederam.




 









Excerto da película com Jean Paul Sartre e Simone de Beauvoir, quando visitaram Cuba, em 1960. Nessa época começava a sabotagem económica dos EU ao país (até hoje)... e etc. Sartre escreveu "Como era necessária uma revolução, as circunstâncias designaram a juventude para a fazer. Só a juventude experimentava cólera e angústia suficientes para a empreender e tinha a pureza suficiente para a levar a cabo." 

Assim lembrei a nossa Revolução dos Cravos.

Saímos para a beira-rio, tumultuoso.

Thursday, 10 March 2022

Lisboa - No início do ano 2010

Houve tempo em que nos fins de anos/inícios de outros eram tomadas resoluções. Normalmente boas resoluções. Veio-me isso à ideia porque se fez uma visita à outra margem, logo no primeiro dia de 2010. A F. é tipo "A amiga genial", conhecemo-nos desde o princípio dos anos 60, andávamos juntas no liceu e vivíamos perto uma da outra. Décadas de companhia, nem sempre pacífica. Outras décadas de distâncias. Genial não em todos os sentido dos livros de Helena Ferrante: genial pelo génio, maneira de ser, atitudes e tantas "aventuras", boas/más, na sua vida. Se eu soubesse "escrever", dissimular os nomes e os lugares, a sua vida poderia ser um romance épico: atravessando as épocas deste país desde os anos 60 até agora.

Começo pela agenda da Biba 1973, de High Street Kensington, um símbolo de gostos comum às "Três Graças", que um dia destes me surgiu em arrumações. Também estivemos juntas em Londres, trabalhámos, fizemos compras, passeámos e despedimo-nos. Quando se foi embora para lugares desconhecidos, por amor e convicção, lembro termos comprado: lençóis e um cobertor roxos, o Álbum Branco dos Beatles, o "Calèche" de Hermès, vestidos indianos compridos, colares e brincos, coisinhas nossas, para lembrar um tempo de tanta juventude (desperdiçada) (?). Que sei eu agora a não ser o que julgo saber?

Em sua casa, das diversas vezes que aqui, ou ali, estivemos, era fazer passo a passo um caminho de recordações, de nomes e lugares, de pessoas já ausentes.





 



As paisagens, o espaço e a distância. As memórias de um Natal "quente" passado com as crianças naquelas bandas-brandas.


A vontade de estar e conviver como o fizemos não é, agora, nenhuma. Ou é remota. As minhas saudades dela são de todos os dias.