Thursday, 17 March 2022

Porto - Fontaínhas 2010

Em passeio pelo lado ocidental, antigo e degradado, do Porto, as Fontaínhas. Situado no limite da freguesia do Bonfim e na escarpa sobre o Douro, lugar abandonado aos seus humildes habitantes e ajuntamentos religiosos. Onde, desde tempos imemoriais, séc. XIX, se celebra o S. João, o que eu recordo e gosto: do alho pôrro, dos ramos de cidreira e alfazema, das barracas com louças e divertimentos ingénuos. Das pessoas na rua, tanta gente... num tempo em que "reuniões de povo" só mesmo nessa data.

Ponte Maria Pia,  uma obra prima de Gustave Eiffel, construída em 1872, há tantos anos desactivada - 1997 - e abandonada à sua sorte decadente e de ferrugem,

 substituída pela Ponte de S. João










É interessante procurar/ver a toponímia de algumas ruas mas muito moroso vasculhar arquivos e perceber a informação: esta casa parece ter sido "licenciada" em 1940.

Hoje, e por acaso, encontrei uma planta antiga do lugar onde nasci, com nomes e divisões de terrenos que já não existem. Interessante encontrar o "Palacete" que pertencia ao Snr. Vasques: e lá estava o nome!



Tuesday, 15 March 2022

O'RREIS - Jan. 2010

Há uma coisa, entre muitas outras..., que adoro fazer: dar presentes. Organizar, escolher, pensar na pessoa a quem se dirige, ver a admiração de quem recebe. Raramente comprava qualquer coisa à toa: tudo preparado como uma boa - amizade, reconhecimento, simpatia, amor - mensagem, de mim para alguém. Recordo-me de tantas coisas que às vezes pesam mesmo. Como, em férias fora de casa, comprar uma mão cheia de postais e sentar-me a escrevê-los, desde à família, às minhas amigas, à empregada de limpeza, à modista que me acompanhou a infância. Para os mais próximos, levar pequenas coisas que imaginava. Era mesmo um gosto, nunca para "mostrar" o que fazia mas, evidentemente, partilhar os lugares e o prazer dos sítios. E também os escolhia, ou paisagens, ou igrejas ou tradições, conforme as pessoas a que se destinavam.

Era a festa que se fazia em dia de Reis, ou próximo da data. Os nossos três filhos fazem anos em Janeiro e por isso juntávamos as datas numa só celebração. Em casa de uma amiga, filhos, família, conhecidos, todos se juntavam com alegria. Durante anos conservamos essa tradição. Estas imagens são de 2010 mas há mais antigas, anos 90, e mais modernas. Todas estas coisas se cultivam. Ou não.

E relacionados com a minha disponibilidade na ocasião e afecto pelos casais que se foram formando, aqui estão os presentes e postais desse ano, que recordo com um certo alvoroço. É curioso que não me lembro do que nos deram, algum livro...




O dia estava límpido, lembro a árvore e os horizontes da janela. Do ambiente alegre, alguns olhares.



Em outros anos irei fotografar petiscos da época e outras vistas.

Monday, 14 March 2022

Lisboa - Janeiro ano 2010

O tempo em Lisboa esteve sempre de caretas. Hoje, nem poria o pé fora de portas. Mas, revendo estas coisassoltas, apercebo-me da quantidade de "esperanças de mudar", tentativas que me fizeram palmilhar caminhos desconhecidos: na década de 90 e nas outras a seguir, as vezes que tentei sair deste cruzamento onde vivo (ainda). Dessa vez, havia um anúncio de uma casa para alugar, por temporadas, em Almoçageme. E interessante que mais tarde vi a casa principal à venda, reconheci-a perfeitamente.

Sai-se mesmo com chuva.

Aproveitando para ver o Inatel de Oeiras, onde um dia mais tarde se irá ficar uns dias. É bonito e está situado num lugar deslumbrante.




E quem iria pela serra de Sintra adiante, à procura de nenhures, com uma tempestade tão anunciada?

Praia das Maçãs, suja de pleno Inverno

 

Acima nas rochas a sul, os vestígios das escavações que aí devem ter ocorrido: o Alto da Vigia, provável santuário de culto romano, séc. I d.C., consagrado ao Sol, à Lua e ao Oceano. Encontrei, agora, um belo artigo na National Geographic, de 10.10.21, em que é bem explicado o fundamento e o teor do sítio arqueológico.

De Almoçageme, não tirei fotografias, senti-me acanhada ao falar com o casal que nos recebeu... Ficam o vaso e as pedras,
e os ramos de alfazema que me deixaram colher e, no dia a seguir, deram vida ao meu canto de viagens.

De volta, portanto, ao lugar conhecido, com tanto que se aprendeu!



Lisboa - Ano 2010 - Casa do Alentejo I

O desdobramento dos inúmeros aspectos que me fascinaram.





Quadro de Manuel Ribeiro de Pavia (1907-1957), cujo museu na sua terra de nascença tive o gosto de visitar mais tarde







 
Não imagino os senhores da terra a colocarem quadros dos seus ganhões, quando muito combinariam os preços das jornas entre eles


Da "arte das cadeiras" vários exemplares notáveis



E a noite continuou em ameno passeio e companhia...



... donde, da última fotografia, me vem à lembrança que nem tudo o que parece é!