Monday, 21 March 2022

4 dias em Lisboa - 2

O Parque Botânico do Monteiro Mor: atravessá-lo é uma beleza. Se não fossem estas manias "botânicas", de ricos ou pobres, como estaríamos hoje tão diferentes! Por exemplo, aí estão plantadas desde 1842, árvores que fui distinguindo pela imponência do porte e aspecto. Aliás, uma das duas quintas de recreio agora juntas, destinava-se a ser um "jardim botânico" no séc. XIX.





Como os jardins são em socalcos, agradavelmente guarnecidos de escadas, recantos e pequenos lagos, daqui se consegue ver ao longe o "tal" campo de golfe










Os românticos têm destas coisas assim...


Saturday, 19 March 2022

4 dias em Lisboa - 1

Fazendo, uma vez mais (e contei umas 70 e tal nestes anos, há tempos!) a viagem para Lisboa. O mau tempo não era "entrave", lá vamos em caminho, como o pássaro, tentando não molhar os pés...




Do quarto do Hotel Ópera, que conforto era...

Jantar em família, no "ninho das águias". O outro dia estava de programa feito: lá para os lados do Lumiar, o Museu Nacional do Traje e restantes anexos: parque botânico do Monteiro-Mor e o Museu do Teatro. A zona, que é considerada a Alta de Lisboa e estará agora muito modificada (projectos de habitação, zonas verdes, campo de golfe...) espantou-me pela sua decadência e vielas esconsas. O Museu foi instalado já depois do 25 de Abril, no Palácio Angeja-Palmela, séc. XVIII.


Pelo que vi, a carruagem à entrada prepara-se para carregar "batatas, abóbora, laranjas"... Ou seja, esta coisa caseira de ter um museu tão interessante "assim-assim", pouco cuidado, é mesmo à "pobrete mas alegrete" que em tantas coisas demonstramos!




Prendi-me aos pormenores, na escadaria, nos tectos, portas e janelões.  As fotografias de interior saíram  muito más: já uma vez fiz, tenho a certeza, posts sobre esta época e estes lugares. Aqui deixo o apontamento renovado, pela viagem e visita que foi feita

Tenho na lembrança - outra vez - uma bolsinha destas, de missangas de que sei as cores, com fecho de tartaruga, guardada num gavetão do guarda-vestidos, juntamente com a minha boneca espanhola, toda cor de rosa, de olhos azuis e pestanas de abrir e fechar e que ao inclinar dizia "mamã", preciosidades em que não podia tocar e a que perdi o rumo...

Gosto dos romances que contam estas rendas e bordados




Li que muitas das peças foram doadas por particulares

A verdade é se foi atraído pelo "lugar" e os jardins, como me acontece muitas vezes em museus: ora por uma obra, autor, que me desperta a curiosidade ora os lugares onde estão instalados. Ando há que tempos a pensar se poderia visitar, em algum evento, a Embaixada de França, lá para as janelas verdes.

 

Friday, 18 March 2022

Porto (intervalo) para (re)nascer

Nestas desgarradas coisassoltas, surgiu-me o "Dias com Árvores" em 2008, escrevendo sobre o lugar onde nasci. Em borbotões me saem as memórias. E tenho ideias muito recuadas no tempo desse lugar. Filha única e criada muito só, observava e ouvia tudo: como uma pequena esponja seria o meu cérebro,  e entendimento primário, para reter assim nomes e imagens, de lugares, das pessoas e acontecimentos. Lembro-me até do que pensava! Como Mussorgsky, são "Quadros de uma Exposição", a "Promenade", a minha vida que, sendo modesta, era cheia de ilusões, criações e significados. 

Este foi o comentário que me surgiu e publiquei no lugar, em tempo atrás, que tão bem conheço e aprecio:

Pelo que pude espreitar há anos (do Centro Comercial) já nada de árvores existe. Pergunto-me quantos anos mais ficará aquele belíssimo lugar em abandono. Se era para residência universitária, os estudantes já se reformaram, certamente! Nasci por ali perto. No terreno que mostrais ao lado do bairro modesto, havia um grande palacete, do Snr. Vasques, com várias criadas de avental branco e coroa engomada na cabeça, e um cão de guarda o "Leão". A canalhada corria, quando o senhor, majestoso e de chapéu, subia a rampa para entrar o portão, para lho abrir: às vezes ele dava um tostão a algum... E palmeiras, latadas, hortências, flores e arbustos cuidados. O senhor seria dono ou associado a caves do Vinho do Porto, em Gaia. Onde a minha querida avó trabalhou em limpezas: ia-se a pé, dali do Carregal, cortando as ruas velhas, atravessando a "ponte de baixo". O meu gosto era empoleirar-me em mesas e cadeiras até à clarabóia do telhado da minha casa e espreitar o luxo em que ali se vivia. Do outro lado do bairro ali encravado, havia uma quinta que ia pela à rua do Rosário até Miguel Bombarda. Pertencia ao Prof. Jaime Rios de Sousa e irmãs, mas nunca se via lá ninguém. Apenas - e do que gosto delas, desde sempre - maciços de japoneiras, camélias de todas as cores e feitios, palmeiras e árvores imponentes. E daí a minha pergunta de tantos anos: porque é que não se podia brincar naquele espaço tão bonito e solitário, tão abandonado? Coisas que as crianças engendram na cabeça e as marcam para sempre. Às vezes sonho com esses lugares. A casa está lá, recuperada, dois grande plátanos que conheci sobreviveram na entrada, CC, garagens, mais um condomínio e tal. Ah... a memória Tantas vezes dói. Abçs para vós
Bettips 

E dos lugares na actualidade, ou seja 2007... espreitando eu em bicos de pés do pátio do Centro Comercial que ali surgiu, imagens perdidas na desconstrução das existências:




Ainda sobrava a palmeira e o merlão em pedra que franqueava o grande portão em ferro, pintado de verde


Subsiste, o cruzamento da história com a lembrança. E nada disto está escrito mas está, sim, inscrito. Nas pedras que restam e que me conhecem.

Planta antiga, anos 60 ??? retirada algures dos arquivos das plantas da cidade.