Percorrendo as salas e os pormenores delas:
De como achei lindas estas silhuetas de peixes no vão das escadas!
Percorrendo as salas e os pormenores delas:
Dá-me alguma estranheza este revisitar a história e os lugares. As memórias dos passos, dos gestos e do que me chamou a atenção nestas décadas passadas. E à procura de informações, que na altura não tinha ou eram mais superficiais e/ou apressadas, encontro coisas como que em "escavações": e sai um palácio, cheio de referências de séculos, que se visitou. Naturalmente onde nunca mais porei os pés!
Estas curiosidades, que encontro agora e se ligam a outros momentos, são fascinantes. Esta foi uma visita ao Palácio Quintela, ao agora Palácio Chiado, ao presentemente "Food & Art"... restaurante de ultra-finura, até o nome em inglês lhe dá estatuto. O Palácio Quintela é do séc. XVIII, variada a história da construção que lhe é atribuída. Pertenceu a Joaquim Pedro de Quintela, 1º conde de Farrobo. A graça e a reminiscência que tem o nome: dado que o senhor conde era muito dado a excessos vários, nomeadamente festas e festins, ainda hoje (e bem me lembro em miúda de o ouvir!) se diz um farrobodó quando a coisa descamba. E outra ligação ideia/palavras: o malfadado general Junot ali se aquartelou, em 1807, aquando das invasões francesas. Também por isso se diz à grande e à francesa quando se fala em altos gabaritos e excessos. De que os franceses, como se sabe, eram grandes apreciadores; além de invasores, foram saqueadores e ladrões.
Bem, chegados ali à porta, se viu anúncio de um Festival Internacional de Cultura Urbana. Ora como estas coisas, e outras, dão aso a que se visitem lugares tantas vezes interditos ao público, lá se entrou. E valeu a pena. Pelo lugar e também por muitos pormenores explorados na exposição. Deixarei aqui a lembrança de ambos.
Eu sou "suspeita" para falar de artes em "instalações" porque sou mais para o convencional e aprecio muito descobrir a normalidade/beleza dos quadros ou esculturas. Esta exposição chamava-se "Nómadas Urbanos" e era dito um Festival Internacional de Culturas. E sem dúvida que houve coisas e ideias de que gostei muito, por exemplo os mapas abaixo, com as intersecções de lugares e viagens.
É que até andei uns tempos a pensar em pegar num mapa do Porto e marcá-lo assim, com os sítios onde passei ou permaneci. Porque sei - de mim, interior - que fios ou ligações são inúmeras. Dariam as linhas do meu infortúnio de estar sempre em lugares de conexões ou cruzamentos a que não pude fugir.
Até nos quartos de banho...
Fim de dia, CCB e beira Tejo.
Dia seguinte, outras ruas, outras gentes. Uma manifestação à época que é igual "hoje"! 13 anos, as mesmas queixas...
Foto de um céu, imagem que me surge de um país atamancado, preso por fios quebradiços e empobrecidos.
A paisagem maravilhosa! O transporte de pessoas e mercadorias pelos comboios, tão negligenciado, os paquetes enormes, cheios de turismo "de um dia", cada vez se vêem mais. Mudavam as cores, mudava o céu, mudavam os barcos. Só que não se mudam as mentalidades.
Pelo sonho é que vamos, alguém o pensou e escreveu: Sebastião da Gama.
Tínhamos ficado num hotel, vagamente nas Avenidas Novas, muito perto da Gulbenkian. O nome já não o lembro, Sana? Eu diria, como o caduco presidente dizia há 60 anos...: "eu gosto muito de hotéis". É que não dão trabalho nenhum, a pessoa instala-se no sossego, tem o pequeno almoço pronto, arranjam-lhe e limpam o quarto, mudam-lhe as toalhas; enfim, meritório o dinheiro que se gasta. Ou gastava.
E no tempo em que ia ao Corte Inglês, eu que gosto tanto de compras... Nas paragens do acaso. Aqui reparando nos belos edifícios antigos, com as varandas no último andar. Certamente que agora será mais para contar os aviões.
O CCB, já será agora sem "Berardo", as voltas que o mundo dá. Sei que até o jardim da Praça do Império em frente foi "requalificado", andei a espreitar por aqui e não parece mal. Hei-de lá ir ver. Sou absolutamente contra a reclassificação da História, a remoção de símbolos dos Descobrimentos, os dos nossos navegadores, os das Colónias, etc. Penso. Assumir os tempos idos que hoje nos são (quase)incompreensíveis.
Na ocasião li isto, infelizmente não tirei fotografia ao nome do escritor mas lembro as linhas finais:
"Como era essa sua casa? Era uma casa."
Então pergunto-me: como é possível que as pessoas, as famílias, as crianças, todos e cada um, não tenham uma casa, um lugar para viver decentemente?