Friday, 16 August 2024

Da Pintura I

Li e vi, quase uma a uma, as telas de William Turner. Tão semelhantes algumas que tentei fotografar a maior parte das placas ao lado. Creio que estes quadros são todos dele. Encontrei tantas das imagens que apenas tinha visto em livros que é uma sensação familiar rever esta escolha que agora recolhi. Apenas não sabia, em pormenor, as viagens que fez pela Europa (Itália, Veneza era um lugar a que voltava) e de como elas influenciaram os temas dos seus quadros. Um homem solitário e excêntrico, parece que toda a sua energia se expandia nas cores, na teatralidade das cenas marinhas e na quantidade dos trabalhos que produziu.




Pormenor das lavadeiras no tanque e roupa a secar no muro, precioso. E Veneza a seguir: de casa para o mundo...




Belezas sugeridas ao longe




Sublimes movimentos, rochas e mares!


Da Pintura

Uma das minhas preferências por Pintura. Letra "grande" porque há uns meses dei a uma cooperativa parte dos meus apetrechos, lápis, telas, pincéis, cavaletes. Tempo de pintar que passou e que bem me fez ao espírito, muletas de há 20 anos, num período crucial da minha vida de sobrevivente.

Entre meia dúzia de pintores dos mais amados, escolho Turner e Klimt. Deste último tenho mais representações em livros do que fotografias dos quadros. Mas no ano 2000, em Viena, procurei-o, visitei propositadamente o Pavilhão Secession, apreciei os seus murais Arte Nova, e estive em frente ao "O Beijo". Na fachada do belo edifício encontra-se inscrito, em tradução livre que encontrei: "A cada tempo, a sua arte. A cada arte, a sua liberdade". Este quadro representa para mim um outro tempo de romantismo e a Ternura. Donde me surgiu a ideia de o copiar e pintar eu mesma, para uso caseiro.

A primeira vez que vi ao vivo um quadro de Turner (1775-1851) foi na Gulbenkian, início dos anos 70 ??? Andará algures nas fotos guardadas uma imagem dele, um naufrágio. 

Fico fascinada com a luz e as sombras que as suas obras mostram e escondem. Para mim, há uma semelhança com a luminosidade dos quadros de Caravaggio (1572-1610), nascido 200 anos antes. Além de apreciar os temas do mar, água, que Turner tão profusamente representou.

A caminho da Tate Britain:


E, se nada parece o que é, aqui tive a percepção que alguém do sul da Europa ali vivia e secava roupa à vista e numa corda. Coisa que não é comum por lá, afinal atravessávamos a zona próspera de Chelsea.

Chegada. A propósito, Henry Tate foi um negociante de açúcar e filantropo que deu origem à construção do edifício em Millbank para reunir a sua colecção de arte.



De olhar para o alto e admirar as cúpulas em vidro, não me canso.



Sunday, 4 August 2024

Kew Gardens III

Estufas! Têm para mim (também) um lugar no coração. Onde vivi até aos 11 anos havia algumas pessoas que muito gostavam de plantas: e atrás dos vidros de uma simples janela mantinham amorosamente vasos pujantes. No "Palacete" também os ricos vizinhos tinham uma construção envidraçada desse género. Será daí o meu sonho de ter uma estufa, ao fundo de um quintal. Ou um terraço coberto de vidro, tipo varanda com cadeiras, mesa, plantas. E muitos quadros e fotografias na parede. Terraços e estufas que muitas vezes vejo nas publicações ou séries inglesas. Enfim!

A maior estufa dos Kew é a Palm House, construída em meados do ano 1800. Há mais... e há muitas informações sobre elas e os seus habitats que fui vendo e, agora, lendo. Mas como isto é a minha espécie de recreio pessoal e não serve de cicerone ou informação fidedigna, não me desbarato em pormenores literários ou literatos, apenas o que me foi importante ver/sentir. As horas são várias, entrada, saída e interiores

Um belo trabalho em ferro forjado e vidro, de uma leveza que nos transporta ao céu



A diversidade e a pujança das palmeiras em diálogo com a cobertura-barreira
Flores ou frutos?


O que se aprende...


De pés bem assentes na terra

Lembrei-me da música de Paul McCartney, com uma letra tão bonita: "Ebony and Ivory", 1982
"Why don't we?"
Os pensamentos que se entrelaçam

Subimos a bonita escada em caracol para ver as plantas, de cima
São mesmo uma maravilha!

Gosto desta preocupação pelos outros, os que passam, com informações e chamadas de atenção para coisas em que não se repara


Realmente "senti na pele"!

Imediatamente me lembrei de Jorge Amado e o seu livro "Cacau-Suor" sobre as plantações e o trabalho escravo no Brasil dos anos 30





Um gosto enorme, tanto mais que há imenso espaço pelo parque fora, para passear e espreitar a Natureza, lagos e edifícios variados. Uma única coisa destoa: a passagem constante de aviões, a caminho de Heathrow; não que se ouçam muito mas interferem com a paz na terra; e para estas coisas não sou "mulher de boa vontade"...


 

Terminando com o Great Pagoda, construído em 1762. Faço associações de ideias ubíquas (o pagode...), ou seja, como se conseguem conservar estes espaços, apesar das construções e novidades desenfreadas da actualidade.

 


Andou-se por lá das 12 às 18.00h (ou seja até às 6.00 pm!) e fotografias foram umas 500, entre os diversos apetrechos que se levaram. 

Mais uma vez me apetece dizer "so long..."