Sunday, 5 October 2025

(sem) Propósito

A não ser as imensas saudades que tenho de Londres e o receio de não poder voltar.

Segundo as notícias deste fim de semana, fecharam uma série de parques e lugares de lazer por causa da tempestade Amy, que anunciava ventos fortes para Inglaterra e Irlanda. Ora todos aqueles parques têm árvores antigas e espalhadas, áleas inteiras marginadas de troncos e ramos numa amálgama feliz. Neste lado de Hampstead Heath há várias árvores caídas e identificadas com uma tempestade e estragos ocorridos em 1987. Só mesmo os ingleses seriam capazes de contribuir (em memória de) para estas partes arrancadas e caídas, todavia, preservadas para lembrança e regeneração!

Não estou a pensar nos estragos, mortes e evidências, disto que realmente aconteceu. Olhando notícias, há muitos motivos (em todo o lado) para preocupação pela violência da Natureza; e dos homens. 

Apenas me lembrei dos passeios por lá.


 

Recordando o sol e as cores de Kensington Gardens, há 10 anos:


 






As simetrias. O que me descansa os olhos e a mente.

De vez em quando, apetece-me arejar o bolor - e o valor - das minhas imagens.

 

Thursday, 18 September 2025

A propósito de St. Martin-in-the-Fields

As minhas escavações ("the dig") nas memórias entrelaçam-se. Já certamente andei por aqui com as belas recordações de Londres. O que se descobriu. O tempo que fez em Abril há uma década. Mas tudo isto, anos a fio, são fios-novelos de várias pontas. Esta surgiu e foi a propósito da igreja anglicana que continua a ter concertos à hora do almoço; alguém falou no pequeno restaurante na cave e na  "apple pie and custard". Pois eu tinha a certeza de ter visto e até ter comido tal manjar em tal sítio.

Nesse dia imenso, antes das 10.00 am... (de manhã depois do pequeno almoço, portanto) já estávamos fora e prontos a andar por todo o lado. Regressámos às 22.00 pm!

A história da igreja dispenso-me de a recordar aqui, está na internet bem explicada. O curioso (aconteceu com vários lugares e ideias) é que nas pesquisas antes de ir (galerias, ruas, museus, parques) encontrei a referência a concertos, ou música apenas, tocada à hora de almoço. E sim, foi assim mesmo.

Trafalgar Square, luminosa. Ali a National Gallery e do lado direito na fotografia, o pórtico e elegância da torre da igreja St. Martin-in-the-Fields

 
 

No átrio. Os concertos são de entrada livre, tal como em muitos lugares e museus. Com a "very british mood", sugere-se que se deixe um donativo

Penso que era uma belíssima escultura de um bebé recém nascido mas não tive tempo para ver mais nem procurar outras referências.

A igreja e os assistentes, ficamos sentados algum tempo ali, tocavam clarinete e piano.

O "brunch" na cripta, que até tinha sopa!


E lá está "apple pie and custard"

Deu-me a curiosidade de ler os dizeres das pedras gastas dos túmulos no chão: eram dos séc. 17 e 18.

 As galerias, muito provavelmente esculturas tumulares que foram retiradas. 


As traseiras da igreja e o resto das vistas/vistas.


 

O dia iria ser longo... com rio, Greenwich e tudo o mais.

*** 

Já depois de escrever tudo isto: a minha eterna curiosidade levou-me a procurar referências da escultura no átrio da igreja. Trata-se de "In the beginning", de Mike Chapman, para comemorar o novo milénio em 2000. Há que tempos! Mas observei-a bem e é realmente a recriação, saindo da pedra informe, de uma criança nascida recentemente. Agora, que 25 anos nos separam da efeméride, penso que desejaria "melhor vida" para este menino!

 

 

Monday, 8 September 2025

Tesouros que se (res) guardam

... na memória, também. 

Foi a propósito de um filme "The Dig", com o meu querido Ralph Fiennes e Carey Mulligan, passado, em Inglaterra, 1939. Bastavam estas premissas para me interessar! Além de ser uma reconstituição de uma história real.

E daí, das imagens do filme, parti para mais uma recordação, eu sabia que tinha visto, notado, até fotografado. Folheando o ar... lá fui eu encontrar o "arquivo" onde está o British Museum e aqueles dias imensos, imensíssimos, da última estadia em Londres. Sempre o visito, se calha (calhou...) de ir a Londres. Desta vez, andou-se por lá mais de 6 ou 7 horas. Não cansa, sempre pormenores a ver, um imenso livro de toda a História antiga, admiravelmente preservada e explicada.


 
 
O Tesouro de Sutton Hoo lá está, exemplares em réplica, suponho. Tesouros do séc. VII. Nos terrenos de que era proprietária Edith Pretty, em Suffolk, foram escavados os restos arqueológicos de um navio anglo-saxão, de valor inimaginável. Explicando assim as redes comerciais e culturais existentes na Europa nessa época tão recuada. 
A chamada "Idade das Trevas".
 

 

 

 

 

 





 

Tuesday, 27 May 2025

A Pintura a fresco

Uma das coisas e loisas de que gosto: pintura. Aprendi, com o tempo, ao visitar museus, a escolher o que quero mesmo ver. Aconteceu-me há alguns anos, no Museu do Prado, ir ver muitos quadros que conhecia, os grandes mestres da pintura espanhola, e não ter tempo para observar os que preferia ter visto. Creio até, se não me engano, que percorremos tantas salas de reis e guerras, e acabei por ver, quase ao fim da visita, que os quadros de H. Bosch estavam expostos na cave.

Uma vez aqui, neste Alentejo claro, se passou e não se conseguiu visitar, nem falando com uma vizinha que eventualmente teria a chave. Fiquei com "a pulga atrás da orelha"... Desta vez, falou-se directamente com o Posto de Turismo da vila de Alvito, marcando uma visita à bela Ermida de S. Sebastião. E com guia. Pessoas muito amáveis aí encontramos! Capela humilde, situada num planalto já no fim das construções da vila, com uma vista soberba. Foi dedicada a S. Sebastião, protector contra a peste que assolou a região, provavelmente em 1535. As pinturas foram executadas em 1611, a igreja foi reedificada em 1892.

As pinturas de/a fresco são feitas com pigmentos diluídos em água e aplicados assim mesmo na argamassa ainda húmida, ou seja, sobre cal e areia. Os pigmentos penetram e fundem-se com ela, tornando-os resistentes e com uma apresentação muito particular, como aguarelas. A maior parte são imagens de santos mas com diversos "anjos músicos", de uma alegria e inocência tocantes. São uma beleza! Junto-as aqui, soltas...

A Ermida de S. Sebastião


 O altar do padroeiro

 Os tectos mostram os anjos e as suas competências dos diversos instrumentos musicais









Encantou-me a ausência de "pecado" e outras aflições da religião católica. As faces risonhas dos anjinhos de asas abertas e ar benigno, os sóis e as nuvens, alegorias do Paraíso.

À saída, soubemos mais informações e vislumbramos por entre grades no chão, as grutas mouras das antigas pedreiras dos Trinos, que existem sob a capela. Estão a prepara-las para serem visitáveis.

Tesouros. Que me ficam no pensamento.