O "cá fora" é horizonte de tantas cores diferentes como que pintores sobrepondo as suas ideias pictóricas, em tons que a natureza oferece. E era o Outono ainda atrasado, um incipiente mês de Outubro que coloria os cimos das árvores, na generosidade do sol.
Como se diria agora: espaço aberto/open-space... para um olhar longe da vista dos prédios.
Já vi aqueles jardins mais bem tratados. São, sobre o que li mas sobretudo ao que me parece, uma mistura de influências, com a geometria francesa no eixo central e a naturalidade dos jardins ingleses nos recantos.
Mas a naturalidade não quer dizer "lixo" ou "abandono".
Enfim, sai-se da luz coada para o jorro dela.
A partir do lago e descendo pelo campo que adiante se estende, nota-se um certo desleixo.
Mas todo este parque é imenso e os "mecenas" não estão na Fundação para isso: é (mais) o prazer vaidoso de ver os nomes na placa da entrada impecável.
Ah, felizmente abriram o terraço, não só para refeições complicadas mas para um chá e acompanhamento!
Sunday, 18 December 2016
Friday, 16 December 2016
Serralves II
Não iria "daqui-ali" para ver um quadro de Miró ou de outros, como Picasso ou Dali. Dele recordava visões quase de brincar, papagaios ao vento, nuvens deslocadas, rabiscos poéticos, fantasias aparentemente infantis, murais e esculturas soltas nas cidades. Errado: esta exposição cronológica dá uma ideia perfeita dos inúmeros trabalhos e arte alternativa, arte que até diria ecológica, do pintor catalão (1893-1983) que atravessou quase um século de correntes pictóricas, surrealismo e guerras. Libertou as cores, os traços, a imaginação, as texturas. Serpentes, pássaros, números, bichos e gentes, sombras...
Soube que a exposição dos quadros e tapeçarias foi preparada com o projecto espacial de Siza Vieira, por painéis e estruturas que se conjugassem com a estética dos diferentes espaços. Muito bem conseguida esta disposição que "não mata" a visão, nem da casa nem das obras. Isto que eu chamo na minha genérica (a minha mente) estética. Tanto das coisas como das pessoas...
Miró escrevia apontamentos, datas, nas traseiras das telas!
E, depois de ter visto um pequeno filme do artista trabalhando no seu atelier, percebi que a feitura dos seus quadros incluía... destruí-los parcialmente, com fogo, com carvão, com cinzas, andando em pé por cima deles! como que agredindo os factos que lhe possuíam a imaginação. Fascinante!
Li os títulos, as datas, a evolução ou o regresso à simplicidade.
Soube que a exposição dos quadros e tapeçarias foi preparada com o projecto espacial de Siza Vieira, por painéis e estruturas que se conjugassem com a estética dos diferentes espaços. Muito bem conseguida esta disposição que "não mata" a visão, nem da casa nem das obras. Isto que eu chamo na minha genérica (a minha mente) estética. Tanto das coisas como das pessoas...
Miró escrevia apontamentos, datas, nas traseiras das telas!
E, depois de ter visto um pequeno filme do artista trabalhando no seu atelier, percebi que a feitura dos seus quadros incluía... destruí-los parcialmente, com fogo, com carvão, com cinzas, andando em pé por cima deles! como que agredindo os factos que lhe possuíam a imaginação. Fascinante!
Li os títulos, as datas, a evolução ou o regresso à simplicidade.
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Miró-Serralves II Out.2016
Wednesday, 14 December 2016
Uma escapadela por Serralves
Tenho a noção do tempo que passa a correr e do tempo que perco com os deveres casuais que casualmente são quase todos os dias.
Rever as coisas, fotos, apontamentos, e soltá-los, é uma forma de lembrar os lugares e saídas que são momentos agradáveis da vida.
Com F. vindo para visita e andar na cidade, deu-se uma oportunidade para ir a Serralves, celebrar o Outono e Miró. A história dos quadros da colecção é uma pantomina que tem corrido pelas imprensas e diz-que-diz.
Mas o essencial é que estejam ali reunidos, num lugar tão belo, e que possam ser vistos pelos interessados.
E desde a entrada, o espaço de Siza, os ângulos de céu e paredes brancas, janelas e fontes de luz que sempre me surpreendem.
A construção da casa foi iniciada nos anos 20 do século passado, a partir duma quinta de família que o herdeiro, 2º conde de Vizela, alargou e alterou com a riqueza (ah! os têxteis...) e o gosto da época europeia, essencialmente parisiense.
Para isso, durante duas décadas, reuniu inúmeros arquitectos franceses e portugueses (orientados por Marques da Silva) e desenhadores de mobiliário e interiores. Como chegou a consenso entre tantas ideias e projectos sobre uma obra tão equilibrada, em luminosidade e espaço, é um espanto!
Pouco tempo viveu nela, nos anos 40, com a sua companheira Blanche Daubin. Deambulando e lendo a história da casa e os seus recantos, apercebo-me que só um homem multifacetado em cultura e viagens, um homem apaixonado, conseguiria mandar construir com pormenores de - chamo-lhe "riqueza simples"- tanta harmonia e um certo despojamento. Acabou por ser comprada por outro patrão da indústria têxtil, o conde de Riba d'Ave, com a condição de a propriedade e casa não serem repartidas nem alteradas.
Em 1987 foi adquirida pelo Estado, pela então Ministra da Cultura, Teresa Patrício Gouveia. Uma bela aposta!
Nesse mesmo ano, ainda sem o Museu de Arte Moderna de Siza Vieira, fui ver a exposição "Viena 1900 Apresenta-se" na Casa e andei pelo Parque, num misterioso deslumbramento: que era saber que existia e não poder lá entrar.
Os portões e as árvores de Marechal Gomes da Costa guardaram o segredo de um bom-belo-viver que nem se imaginava!
Rever as coisas, fotos, apontamentos, e soltá-los, é uma forma de lembrar os lugares e saídas que são momentos agradáveis da vida.
Com F. vindo para visita e andar na cidade, deu-se uma oportunidade para ir a Serralves, celebrar o Outono e Miró. A história dos quadros da colecção é uma pantomina que tem corrido pelas imprensas e diz-que-diz.
Mas o essencial é que estejam ali reunidos, num lugar tão belo, e que possam ser vistos pelos interessados.
E desde a entrada, o espaço de Siza, os ângulos de céu e paredes brancas, janelas e fontes de luz que sempre me surpreendem.
A construção da casa foi iniciada nos anos 20 do século passado, a partir duma quinta de família que o herdeiro, 2º conde de Vizela, alargou e alterou com a riqueza (ah! os têxteis...) e o gosto da época europeia, essencialmente parisiense.
Para isso, durante duas décadas, reuniu inúmeros arquitectos franceses e portugueses (orientados por Marques da Silva) e desenhadores de mobiliário e interiores. Como chegou a consenso entre tantas ideias e projectos sobre uma obra tão equilibrada, em luminosidade e espaço, é um espanto!
Pouco tempo viveu nela, nos anos 40, com a sua companheira Blanche Daubin. Deambulando e lendo a história da casa e os seus recantos, apercebo-me que só um homem multifacetado em cultura e viagens, um homem apaixonado, conseguiria mandar construir com pormenores de - chamo-lhe "riqueza simples"- tanta harmonia e um certo despojamento. Acabou por ser comprada por outro patrão da indústria têxtil, o conde de Riba d'Ave, com a condição de a propriedade e casa não serem repartidas nem alteradas.
Em 1987 foi adquirida pelo Estado, pela então Ministra da Cultura, Teresa Patrício Gouveia. Uma bela aposta!
Nesse mesmo ano, ainda sem o Museu de Arte Moderna de Siza Vieira, fui ver a exposição "Viena 1900 Apresenta-se" na Casa e andei pelo Parque, num misterioso deslumbramento: que era saber que existia e não poder lá entrar.
Os portões e as árvores de Marechal Gomes da Costa guardaram o segredo de um bom-belo-viver que nem se imaginava!
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