Thursday, 23 March 2023

Outono em S. Pedro do Sul

A cabeça transborda de pensamentos e a "imaginação, memória"? de lugares, especiais que foram. Pela felicidade, pelas cores, a liberdade de passear, pelo interesse ou novidade. Assim, S. Pedro do Sul, nesse Outono deslumbrante, com amigos que desaparecem na voragem dos dias. Olho as pessoas nesse tempo e tão pouco ficou delas. Mas muito lembradas são as fotografias da beleza, é aqui que as liberto (e passo à frente como quem passou...).

No caminho, um camião "casado" que tinha perdido "a cabeça"...

e as estradas longe e sem carros que tanto me atraem

S. Pedro do Sul fica entre vales e serras: a da Freita, a da Arada e S. Macário, e outros picos de nomes vários, além de ser uma cidade na margem do rio Vouga, um rio encantador daquilo que fui conhecendo. Nasce longe, na Serra da Lapa, Sernancelhe, e correndo em diagonal desagua na Ria de Aveiro. Os aspectos ligados ao percurso da água entre montes e depressões, e a circuitos de andarilho desafiantes, são muitos e belos. Nas transparências das margens e das árvores pintadas, ficaram-me os sentidos.


Desce, sobre, a glória


Os pequenos nadas





No refluxo, o movimento, das folhas caídas



A jusante, um pequeno passeio onde se adivinha o que será seguir adiante

Tuesday, 21 March 2023

Visitas

Por mim passam vidas. Reconto e não me chegam os dedos da mão.

A Paula tinha estado no Porto e aqui em casa há vários anos, com a minha sobrinha G., de passagem num passeio pela Europa. Vive do outro lado do Atlântico e, quando se casou, quis vir visitar-nos. Volta e meia sei de notícias: tem 3 filhos encantadores e o mesmo sorriso aberto, mediterrânico (é de ascendência grega!), dedica-se ao turismo, com sucesso, pelos recantos menos conhecidos de Boston. Foi interessante encontrá-los, dar-lhes ideias de passeios nas ruas da cidade, levá-los a comer os nossos pratos típicos.



Por esse período, também fomos uma noite ao Teatro





É, era, um gosto sair para um espectáculo, com gente conhecida.



Saturday, 18 March 2023

Outubro na praia

Com os milhares de imagens que me vão surgindo ao longo dos anos, e tantas vezes vou aos mesmo sítios, só por um acaso não repetirei as ideias e os lugares. Desta vez, penso que devem mesmo estar em qualquer outro lado e, para o descobrir, se quisesse fazer o "meu livro de memórias" ou os meus escritossoltos, teria de arranjar uma secretária, em forma de pessoa, que me escolhesse as divagações. Além de passear - ainda - algumas terras sonhadas, gostava de fazer um livro de viagens: isto, penso eu, no caso acaso impossível de alguma vez me sair a sorte grande.

Era meados de Outubro e o tempo estava límpido.

As marés vivas de Setembro teriam chegado perto dos passadiços da praia e notavam-se os destroços das madeiras e as pedras arremessadas, bem como o lugar escavado onde tinham chegado as ondas bravas. Mas mais acima podia-se andar e olhar a imensidão do areal


Ao longe Viana do Castelo e o Monte de Santa Luzia
Aqueles bocados de mar e de rochas são muito diferentes, li algures que são sedimentos que remontam a muitos milhares de anos: eu adoro aquelas formas, aquelas fugas de rochedos transversais, as poças de água cristalina e a sua vida marinha

E, sempre, o sossego! Horizonte sem mácula.


Saturday, 25 February 2023

Um (novo) intervalo para Lisboa

E é assim, as datas e as festas dos fins de ano. Aproximações, deslocações, algumas confusões. Contudo, rever e andar em Lisboa, apesar do mau tempo, foi-me gratificante. Das contas que fiz por alto, nestas duas décadas, passámos e ficámos em Lisboa mais de 80 vezes. Às tantas, saí mais tempo e deambulei pela capital mais do que passeio aqui... 

Anotações de datas que (nos)são marcantes, como o dia de Reis, aniversários. É para mim, contudo, confrangedor, constatar as mudanças: poderíamos estar em qualquer lado, qualquer cidade, olhando para os anúncios das marcas "da moda", sempre iguais. Em vinte anos, as "cadeias" das lojas multiplicaram-se indefinidamente, aqui ou, pasme-se, na província. Todos temos acesso a tudo mas dá-me mágoa ver desaparecer a identidade das lojas: de tecidos, de cafés, de mercearias, de bonecos, dos talhos, das retrosarias. Falei com a família sobre "a moda" e ninguém me entendeu! Havia correntes e tendências do que se usava lá fora mas o gosto, a moda, eram inventados por cada um. Por ideias originais ou especificidades: manga mais larga, saia menos curta, cores em declinação de tons, botões diferentes, pregas e folhos inesperados.

Tirando as "medidas" que subiram uns pontos!, as golas altas que já não suporto... vestiria tudo o que usei há 40, ou 50, anos. Aliás, vendo fotografias antigas a preto e branco lembro-me perfeitamente das cores e padrões que usava. Mas isto devem ser "coisas minhas"...

Lisboa, então, a baixa e as lojas de repetição ou, como se diz agora, globalizante e inclusivo:



 

A festazinha, as luzes que enfeitam os olhos das crianças



As fadas correndo, os pés que dançam, os passos da descoberta do mundo
E esta casa, por onde passo regularmente desde que conheço a amiga ali perto: os arcos de pedra trabalhada e ferro forjado abertos para o nada, o rendilhado, a miséria e o lixo/abandono

E lá se volta a casa, reconhecendo o caminho das árvores despidas e os montes ao longe. Quando irei aos montes, o Caramulo, o Buçaco?


Thursday, 22 December 2022

Férias Monfortinho XXXIII - Galisteo, e volta

Galisteo, ponto de passagem e paragem.

De origens romanas e árabes, aqui se vêem as muralhas que rodeiam a vila. Observar a Porta do Rei...
 

e ver casas construídas na parede da muralha e da parte de fora dela, coisa que nunca vi! Não sei se seria... o bairro da muralha!

Subir ao miradouro Piricutin com uma vista magnífica sobre as planícies férteis do rio Jerte
Abside mudéjar da Igreja Nª Srª da Assunção,

 

e a chamada La Picota, torre de ménagem do castelo


E andando pelas ruas até ao centro, as pequenas "coisas" das pessoas comuns
Com uma baixa densidade de povoamento por Km2, a verdade é que quase não se via viva alma!




De algum "bocadillo" nos alimentámos e ala que se faz tarde... rumo a Monfortinho, com um céu magnífico!


Saudades que, ainda, sinto de um lugar tão despretensioso, tão "caseiro", calmo; e tão à mão de tantos outros pontos de interesse! Virado aos quatro pontos cardeais. Sei que está fechada há anos, a pensão, e é uma pena, teria todas as condições para ser um sítio bom e económico. Mas como a sociedade actual está virada para o luxo, os bês-enes-bês de engano, os turismos de habitação exorbitantes (tantos desabitados!)... Não sei para onde poderão ir os seres normais que pretendem apenas limpeza, sossego e tratamento familiar, sem ser com a nobreza e os salamaleques das pousadas!




 No dia seguinte, no caminho para casa, atravessando o mapa na diagonal:

 

...reparar no rasto de lixo que as pessoas deixam, depois de ter estado em horizontes amplos e "nos lugares limpos"


Às vezes fazemos isso: desviar para pequenas coisas que nos chamam a atenção. Mas o meu (verdadeiro) gosto era seguir ao acaso, um dos sinais que se vêem nas estradas, certas coisas que andam há décadas na ideia. Há nomes tão sugestivos por este país adiante...