Monday, 28 August 2023

10 dias - Sintra/Lisboa III

Em vindo um outro dia, fomos de passeio à Praia das Maçãs, ali ao lado. Lugar mítico desde que passámos há anos uns dias em Azenhas do Mar e por todo o lado espreitamos mar e terra. No reino do maravilho mundo da Arqueologia, encontra-se referido o Alto da Vigia (em escavações) como um lugar de culto funerário megalítico, da Idade do Cobre, em honra do Sol e do Oceano, com posteriores ocupações romanas e árabes. Revi a história desse lugar na National Geographic, com algumas referências interessantes. Por exemplo: que Francisco de Holanda visitou o local em 1540, descrevendo-o e desenhando-o. Desenhos que foram "descobertos" em Espanha apenas em 1970! Isto respigo eu também de bloggers com outros conhecimentos, curiosidades e doutoramentos... - assuntos que não me atrevo a aprofundar - mas gosto de saber. Com pontas de tradição, imaginação ou lenda, e com fundos de verdade.

Tal como a Ribeira de Colares que, na sua corrente até à foz, "transportava" as maçãs caídas dos pomares da várzea


 

As cores da praia plena de luz onde voltámos



E o jantar, num lugar de que gostamos muito, o "Angra". Lia-se a história do barco que ali em frente naufragou em 1983, com a designação que deu o nome ao restaurante, falava-se com as pessoas dali, notava-se o gosto pelas coisas do mar. Corrijo agora: gostávamos porque, segundo li, mudou de "timoneiro" e a qualidade foi-se. Valem as vistas, essas eternas. Talvez indo tomar um café e uma torrada inócua...

O dia seguinte, bisonho, estava destinado a fazer-se um passeio a pé, de bordão e capa de chuva! Assunto para o post a seguir, deixando apenas aqui, a maravilha das flores selvagens que se foram vendo pelos chãos adiante.







O esforço será lembrado a seguir, com imagens.


Saturday, 26 August 2023

10 dias - Sintra/Lisboa II

Seria a manhã de uns dos primeiros dias. Um dos cinzentos mas de descobertas graciosas, bonitas e com graça: esta da preguiça, com o pequeno almoço no quarto meio-mar. 

De Sintra e as suas voltas verdes

Visita a uma escola muito exclusiva, com a sobrinha que lá dava aulas, notáveis os trabalhinhos das crianças, cheios de invenção e colorido

De um lado para o outro se andou, nestes nevoeiros a roçar os montes e a esconder a cúpula de Monserrate


Como o perfil sisudo e escuro da grande rocha da grande praia, também o mar muda de feição e aparato

Pelo Guincho adiante

O fim do dia e o jantar com os jovens familiares, em Cascais

O olhar perde-se nas antigas horas de partilha,


neste "hoje" que me parece no avesso dos sentimentos

A mim fica-me a mágoa de tantas festas e risos, algures em tantos anos, revividas mas após fugidas.


Thursday, 24 August 2023

10 dias - Sintra/Lisboa I

A Gulbenkian. Como seríamos mais pobres sem esta extraordinária instituição! Sempre que possível, se vai e se vê, e nos vemos também, entre amigos. 

 

Esta era uma exposição de fotografias da cientista e activista francesa Lilia Benzid, sobre África, creio que maioritariamente sobre os países da África Subsariana. Não é o mesmo ver, sentir, ou tirar fotografias: fica-me como apontamento. Da diversidade dos povos desse continente donde provimos, da exploração e pobreza, dos colonizadores, do abandono, das guerras infindáveis e da miséria - ontem, hoje, amanhã... Como exemplo, o que aconteceu na África do Sul durante séculos não serviu para aprender. Nós, os portugueses, temos muito em que pensar! Alguém vai retratando algo para que o mundo, e sobretudo o Ocidente, veja o que era e está, o que resta, no que se vai tornando. Também não concordo com esta actual forma de rever a História, a escravatura, os roubos. Quem terá as mãos limpas? Não é possível apontar dedos de acusação quando nada se faz agora para mudar o hoje.




Parece-me sempre especial este poder de olhar e aprisionar um quadro que transmite sensações controversas, horror, amor, espanto, curiosidade, ternura
Zaafrane, pequena aldeia no deserto, Tunísia
 

Cá fora, a paz, a água e a beleza de sempre




Penso que captei a fotografia pela aparição do arco-íris no fim da tarde. Não certamente pela novíssima moda de "embelezar" os prédios devolutos ou em ruínas. A alguns murais acho "alguma" graça: mas não seriam melhor empregues o dinheiro, o esforço, a imaginação, o protesto que representam, junto das organizações que superintendem estas nódoas das cidades? É tudo tão efémero e centrado no ego! "Eu pinto, tu vês, a vida continua".


Fica-me a sensação, quando a casa dialoga com a rua, que são belos estes lugares de ver cá para fora, os "olhos das casas" como os entendo, antigos ou mais modernos,


permitindo a intimidade do lugar, de quem assoma às janelas no seu sítio de estar. Nada tem a ver com a falsidade dos espelhados, da protecção das varandas com vidros transparentes, que agora se encontram como moda em cada prédio ou cubículo. Não será para que a luz entre nas casas, muito mais me parece uma maneira de dizer que "somos livres e visíveis". O que é uma grande inverdade na sociedade actual, como a vejo ser e actuar.


Wednesday, 23 August 2023

Dez dias - Sintra/Lisboa

Sempre que possível e em datas pessoais, aniversários disto e daquilo, tenta-se "estar fora". Ou tentava-se, que os tempos e os modos mudam. Hoje andei a ver o mesmo hotel onde ficamos em 2011 e, em 12 anos, os preços aumentaram umas 5 vezes! Sei que foi um tempo tão diversificado e cheio de Arte e Natureza que certamente terei descrito anteriormente nos meus blogs os lugares e os acontecimentos. Nesta empreitada minha, ignorada e solitária, de recordar sítios e bons momentos passados, apenas para os desfrutar novamente, deixo apenas algumas dessas recordações.

Chovia na viagem

e chovia na chegada. Mas quem nos roubaria o entusiasmo de habitar por dias um lugar mesmo em frente ao mar?  A varanda (ainda estão lá...) dava directamente para o oceano, nada nem ninguém se via ou era visto.

Instalamo-nos e saímos para verificar os lugares que já conhecíamos de passagem. Adoro esta casa, alguém a mandou construir "como um navio" e tive o (des)gosto de a rever mais tarde, parecendo abandonada ou, pelo menos, decrépita, num deserto de gestos e gente.

O Magoito, as suas brumas e rendas, a figura do pescador,
é tudo lindo naquelas rochas e ervas.
Na volta, o clarão do poente

No dia seguinte, Lisboa, os jacarandás de Maio, os reflexos

E passamos em homenagem ao "nosso amigo". Não há palavras, ainda não as temos nem encontramos.


Não se poder falar sobre as perdas é restritivo. É triste. Procurava nomes que (me)traduzissem este sentimento, de um hiato, uma falta, um abismo. Como uma doença que fica e dói, pelos dias e pelas noites. Grande defeito meu, este olhar desencantado que tenho no que se (me)vai.