Monday, 25 October 2021

Estremoz IV - Museu Berardo

O pátio, que iria ver em pormenor mais tarde, tem painéis que são uma homenagem ao mosaico/azulejo hidráulico de Estremoz. E ao mármore. Tudo de um bom gosto e sentido estético irrepreensível.


E subindo então para o piso 2, onde estão expostos azulejos de fábricas antigas e conhecidas, além de Arte Nova e artistas contemporâneos. Luminoso e com vistas sobre a cidade e os terraços. Das surpreendentes esculturas nas salas nem tive tempo para lhes explorar a proveniência: apenas a beleza.




Pensar em "árabe" ou nos magníficos terraços do Sul

As esculturas recortadas na claridade

 

Esta abaixo, suspensa no recorte da janela, é lindíssima! Penso que as outras do género também são do mesmo escultor cujos trabalhos privilegiam o mármore. Procurei e encontrei agora que é da autoria de Georg Scheele, um escultor alemão que - pelo que li - vive e trabalha em Monchique.

Ah... que caminho enorme, bom e gratificante, o da Arte; e que longe me sinto dela, fazendo-a minha apenas interiorizando o que leio ou vejo!





 
Os painéis (definitivamente) modernos ou do séc. XX






Uma visão impossível e que deveria ter sido feita em etapas. Paula Rego, Querubim Lapa,  Rafael Bordalo Pinheiro, ficaram num passar de olhos e sem registo fotográfico. 

 

Estremoz III - Museu Berardo

Na cidade, um calor sufocante. E com manobras modernas de GPEsses, já não se consegue simplesmente olhar um mapa e chegar "a um sítio". Metade de mim é "papel"! Pelo que as voltas a pé são muitas vezes, já, penosas. Assim como andar por estas "tantas" fotografias aqui passadas, sem repetir os motivos. Digo para mim "tenho de me deixar de tirar fotografias a tudo", e ao ver as coisas esqueço-me! Sistematizá-las e escolhe-las em casa por sequência, local, dia, hora, reformulá-las em tamanho e pormenores escusados, é um trabalho e tanto, de olhos e cabeça..! 

Na praça principal tantas as igrejas eram que nem se entrou nem se lhes soube o nome. Apontamentos:





 

O Palácio dos Henriques do séc. XVIII (Palácio Tocha) é o edifício onde se reuniram "800 Anos de História do Azulejo". A maior colecção particular de azulejaria, no Museu Berardo Estremoz. O palácio que teria já azulejos da época, foi recuperado e enriquecido com mais de 4.500 peças do séc. XII ao séc. XXI. Uma cooperação feliz entre o Comendador José Berardo e a Câmara de Estremoz que nos permite uma visão espectacular e selectiva desta arte.



A entrada em mármore prometia escadarias... rés-do-chão e dois pisos. Não sendo senão uma apreciadora da arte dos azulejos, as cores, as formas, a proveniência, decidiu-se rapidamente ver o que estava à mão e subir de elevador ao 2º piso, começando a visita ao contrário. Dando menos relevância aos "azuis" e reparando nos outros, lendo algumas explicações, vendo o todo da belíssima casa, assim se viu a exposição.

Do piso 0, as origens islâmicas e outros, Itália, Flandres e Península Ibérica



Em baixo, o 2º azulejo da esquerda é um exemplar de Sevilha, dos inícios do séc. XVI. Não pude referenciar cada um e poucos alguns... são tantos! Fui registando a olho e a gosto. Em casa e com o folheto do museu, consolei-me ao encontrar outras informações avulsas; e a pensar no que de muito e importante me escapou!



A "Alegoria Eucarística" painel provavelmente recuperado de uma igreja


Saturday, 23 October 2021

Estremoz II

De maneira que essa manhã chovia. Andou-se pela casa e telheiro em jogos e leituras, em conversas cruzadas. Pela tarde, nos intervalos de brincar, sobretudo ouvir o silêncio dos campos amodorrados, observar as aves e as nuvens que se laçaram e deslaçaram hora a hora.

As nuvens e nuvens ilimitadas, e as suas correrias várias, sempre me encantam





Mas, como "nem só de contemplação vive o homem" - e em especial eu, mulher de tantas curiosidades latentes, diria até latejantes! - o projecto do dia seguinte foi almoçar num restaurante no campo, passar numa igreja de caminho e voltar a Estremoz onde um museu "me chamava".

Assim, começando com a liberdade da relva e da piscina, o dia cheio em algumas horas. Saindo para almoço-convívio degustando a maravilha dos sabores do Alentejo, num lugar no meio de nada onde se comeu muito bem. Por exemplo: frango do campo e cozido de grão.


Pelo caminho se tinha vislumbrado uma igreja solitária e imponente. Igreja de Nª Srª dos Mártires, com características medievais, foi mandada construir por D. Nuno Álvares Pereira, eventualmente existente desde o séc. XIV tendo sofrido depois alterações. Gostei dela, pela pacatez e dignidade, pelos enfeites elegantes, pela visão dos arcos incompletos que me fizeram lembrar o Convento do Carmo, em Lisboa. O interior de pormenores manuelinos e os azulejos mais tardios, puderam ser observados ao pormenor pela afabilidade da guardiã que logo nos deixou vê-los, não sem que antes nos tivesse contado a sua história de vida.



Os arcos góticos, o mármore rosado e a luminosidade naquela terra clara do Alentejo davam uma sensação de paz imensa.






Um repasto arreado de nobres em cujos pormenores reparei de perto.