Thursday, 11 November 2021

A Casa de Camilo 1

Em andando fora de casa ou se volta rapidamente ou se "inventam" motivos para ir mais longe. Calhou dessa vez pensar em Camilo Castelo Branco (1825-1890) e S. Miguel de Seide, para os lados de Vila Nova de Famalicão, onde viveu os seus últimos anos. Considerado um génio da literatura portuguesa, um escritor profissional (tradutor, crítico, dramaturgo, historiador...), produziu 260 obras, a maior parte obras românticas, trágicas e de descrição de acontecimentos da época. Dá assim uma perspectiva histórica desse período, rico em personagens e acontecimentos, demonstrando um profundo conhecimento humano. O seu humor e ironia, uma vida de aventureiro, a sua ligação com Ana Plácido (casada com um comerciante portuense), as desgraças que o foram atingindo, haviam de o deixar na História da nossa literatura como um escritor controverso e profícuo, multifacetado. Não é um dos escritores que aprecie, se calhar porque lhe conheço pouco a obra... mas gostei de saber "desse tempo" em que viveu, e as descrições com que tantas vezes chocou os seus contemporâneos. Trágico, amargurado e doente, Camilo Castelo Branco suicidou-se com uma pistola, nesta casa.

A Casa de Camilo é um museu tranquilo e muito bem reconstituído, por onde se anda, vê, lê, e percorre a vida do escritor e da mulher com quem passou o resto do seu tempo, depois de tantas vicissitudes: Ana Plácido. Não sei onde li, ou donde sei, que Ana Plácido se sentava no muro do jardim e falava com as pessoas que passavam: "dizem" que daí viriam muitos dos factos que Camilo romanceou.





 

A Robinia (acácia-bastarda) plantada pelo seu filho Jorge, na entrada da casa

Dos interiores








Dos inúmeros escritos de Camilo espalhados pela casa, com fotografias da época e trechos da sua vida

Na Cadeia da Relação, no Porto, onde estiveram Camilo e Ana Plácido, culpados do crime de adultério. Seria o pai de Eça de Queiroz, advogado, que iria conseguir a libertação de ambos.



Em frente à casa, foi construído um edifício por Siza Vieira (só podia, com aquelas linhas!), o Centro de Estudos Camilianos, inaugurado em 2005: auditório, manuscritos, sala de leitura e de exposições temporárias. Por lá se derivou que o sítio convidava.






Não sei onde me apareceu a transparência...
 

Museu Soares dos Reis

Uma breve passagem por sítios conhecidos. Seria uma ida propositada àqueles lugares onde tenho de ir, andei e ando, em círculos quase magnéticos. 

Vivi por ali e passei algumas boas horas no museu, onde o porteiro, o Senhor Juvandes, me deixava andar e brincar. Os grandes corredores, os jardins, as figuras que observava, as fontes e as estátuas, o campo atrás e a liberdade de correr. A estátua de D. Afonso Henriques imperava no átrio, enorme para os meus olhos de criança pequena. E eu gostava dele, aquele ar de conquistador e as escamas em pedra do seu traje, o escudo e a espada. Daí, da sua visão de "fazer um país" a partir de um pequeno condado, virá a minha predilecção por esse rei.

O "Palácio dos Carrancas" é um edifício do séc. XVIII, mais tarde adaptado a museu. Era propriedade de um fabricante de galões de ouro, passamanarias e fitas decorativas que, segundo li, foi fornecedor da realeza. O nome do mais antigo museu português é uma homenagem ao extraordinário escultor portuense António Soares dos Reis (1847-1889). Vi agora que só viveu 41 anos. Ali se encontra uma bela exposição das suas obras que tive oportunidade de ver demoradamente em outras ocasiões, bem como uma colecção notável de pinturas e esculturas de outros artistas da época. Mas disto não reza esta história nem este passeio fortuito. Apenas alguns olhares da entrada e pátio, por pedras que me conhecem.






Porque se há-de voltar, porque há muito que ver e descobrir. Estão ali algumas das minhas pinturas portuguesas preferidas.


Monday, 8 November 2021

Uma Festa - Um Casamento II

A quinta recuperada para este género de festas e que eles elegeram para a comemoração, ficava do lado do Porto, em Gaia e em frente ao Palácio do Freixo, na beira rio. Era bem espaçosa para tal quantidade de gente. A decoração - que os noivos escolheram com uma estética perfeita - e o serviço foram impecáveis. Gente velha e muito velha, gente assim-assim, crianças e bebés, e muitos amigos de curso deles, o que deu uma grande animação à festa. 

O estranho de tudo isto era ver pessoas, que foram de íntima convivência em anos passados, a tentar evitar falar ou sequer cruzar os olhos, ou os caminhos. Uma atmosfera peculiar que passaria despercebida a quem não (os) conhecesse. Toda uma história de gente., de pontas soltas para sempre.

Fora de portas, a paisagem era deslumbrante


 

O Palácio do Freixo, séc. XVIII, que estava ainda em recuperação, é agora uma pousada de luxo. Ao lado, uma antiga fábrica de moagem que também pertence actualmente ao hotel. E toda aquela zona sofreu uma edificação espantosa em uma década e pouco.









 
 
Um dia de excepção à beira rio! Se não fosse esta festa de casamento nem (re)conheceria este sítio...
 

 

Uma Festa - Um Casamento

O nosso jovem vizinho e amigo casou-se. Um casamento oficial e uma grande festa de "famílias", várias, de um lado e de outro. 

Um acaso, daqueles que tenho "sempre" e em que tropeço tantas vezes, fez com que tivesse encontrado pessoalmente, a avó da noiva, o pai e o tio. Pessoas com quem convivi - e que bem me trataram! - no campismo, tinha eu menos de 10 anos. E, também sem mais nem para quê, tinha encontrado o pai a trabalhar no mesmo edifício onde era o meu escritório, nos anos 80. Todos esses fios que se foram interceptando em intervalos ao longo dos anos, convergiram nesse acontecimento.

Na minha vida não houve muitas festas ou belas comemorações. Tenho sim boas viagens e tantas fundas memórias delas! Enfim, nas últimas décadas, este foi um acontecimento extraordinário e particularmente bonito. Pelas pessoas a quem nos unem laços especiais, pelo lugar e decoração que escolheram os noivos. Recordo-o como uma ocasião de alegria

Aspectos dos interiores e da magnífica decoração, verde, branca, nos pormenores escolhidos pelo casal




A delicadeza dos passos floridos, pois, que são "de amor".

O meu vestido e acessórios
As brincadeiras dos amigos, um tabuleiro que pintaram à mão


De dentro para fora





As luzes do outro lado do rio faziam do longe um cenário bonito




Os marcadores nas cores que escolheram para os convites.