Friday, 11 November 2022

Férias Monfortinho XXII - Las Hurdes 2

Por alguns apontamentos do caminho, consultei o mapa da zona e reparo que se entrou pelo sul e se andou para norte. Nas muitíssimas curvas dos montes, com trechos maravilhosos imersos na solenidade da serra.








Numa das margens de um ignoto riacho, as cabras e o pastor


Tantas placas e tanta vontade em segui-las! Vi depois que a pé ou jipe, haveria tanto para apreciar: as quedas de água, as formações rochosas, as minúsculas aldeias, as lagoas, as florestas, oliveiras, cerejeiras... Aqui se vêem as casas típicas do lugar, estranhamente com telhados planos como pombais.





Chegada, enfim, a Casares de las Hurdes, no coração dos montes. Com tanta fome, de parar e de comer, que ali se ficou um bocado, com uma simples sandes de ??? talvez daqueles "chorizos" espanhóis coloridos e saborosos.

No terraço, olhando os vales e uma planta que nos pareceu liamba: estava nascida à mão de semear... inocente e inesperada, entre as rosas!




Muito depois das 7h da tarde, era tempo de refazer o caminho de volta.

 


Thursday, 10 November 2022

Férias Monfortinho XXI - Las Hurdes

De tantos anos a ler, desde a idade em que aprendi sozinha a juntar as letras, a ir ao cinema nos anos 60/70, tudo por escolhas muito pessoais, há lugares e cenas que me ficaram para sempre: como "Vidas Secas", filme brasileiro de Nelson Pereira dos Santos, 1963. Como "Mondo Cane", filme documentário italiano, 1962. Como "Las Hurdes, Tierra sin Pan", de Luis Buñuel, 1933. 

Las Hurdes é uma região da Estremadura espanhola, de pequenas povoações rurais, durante décadas muito isoladas e pobres. Ao procurar informações, encontro agora muitos aspectos ligados a rotas turísticas, alojamentos "caseiros" e hotéis, marinas, praias fluviais etc., o que pressupõe um maior interesse e desenvolvimento. Evidentemente que nessa época, no Portugal de 1933, existiriam aldeias perdidas na mesma solidão e pobreza! 

Portanto estava-se "por ali" perto, com uma enorme curiosidade de visitar a zona. O lugar é a norte de Cáceres, na Serra da Gata. Infelizmente não consigo relembrar os nomes das terras por onde passámos, excepto quando tirava fotografias às placas, em andamento, e ainda bem que o fiz.






A zona da Serra da Gata é atravessada por 7 rios! e, julgo, pequenos riachos que se foram antevendo pelo caminho. Lugares onde não se podia parar e de difícil acesso.
As manadas de touros ao longe, reconhecíveis pelo pó que levantam






Wednesday, 9 November 2022

Férias Monfortinho XX - Barragem Penha Garcia

O TEMPO passa de uma forma fatal. Não é "fatal" para mim porque ainda não morri: desde 1992 que vou encarando formas de "ir morrendo". Das pessoas, no corpo e no espírito. Talvez nascer seja o início da morte que vamos conhecendo sucessivamente, nas perdas, nos sobressaltos dos tantos caminhos. E por isso me é tão emocionante rever estes passeios tão plenos, tão largos, são os oásis, dos obstáculos, das paredes. Penso em "As Intermitências da Morte", como diz Saramago. 

Quantas paredes tem a minha casa? Eu só reparo em duas, a da frente e a das traseiras: a porta da rua pode abrir-se. Esta parede do computador desdobra-se em vidas anteriores que me fazem (re)pensar. E saio por ela.

***

Penha Garcia tem muitas pedras da antiga Terra, do antigo Mar. Já andaram por aqui e ali nas minhas divagações. Desta vez e agora, data de 2010, fui outra vez olhá-las, outras cores, outros ângulos.

Saindo pelas ruas de Monfortinho, solenes mas humildes, como explicar o que lá senti? Sossego.



Nunca fui pessoa de escaladas... mas aprecio ver, de longe. Por ali se fazem como desporto, que agora também é moda a "aventura". Eu nem sabia que fazia "treckings"!!!

Para mim é suficiente andar por caminhos selvagens e "reparar"

 As impressionantes Trilobites gravadas na altitude das rochas



E o vale onde havia um pequeno museu desses fósseis, com a "carolice" de um velho guia que nos explicava o exposto
A volta luminosa

num dia de paz.


Friday, 4 November 2022

As aves soltas

Intervalo nos meus escritos de férias nos anos antigos

Olhei o céu neste fim de tarde luminoso e frio. Um mês já decorrido desde outras paisagens tão belas. Deu-me uma enorme saudade das pessoas comigo, dos pássaros, dos lugares, dos flamingos. Atravessava-se no barco "da carreira", entre Tavira e a ilha. Estavam ali! Não retoquei as fotografias, têm os tons da terra, dos canais e reverberações da água, das ervas selvagens de mil cores. Também a selvajaria se vê, dos detritos de construção e outros, de pessoas para quem a natureza é fazer casas e esvaziar lixo em qualquer lado.

Deixo-os todos aqui, aos elegantes e esquivos flamingos da Ria Formosa.








O bando no banho e atentos
 








Lembrei-me de como gosto, ou não desgosto, de ir ao único shopping de que me lembro, e se será porque se sobe por lojas e lojinhas até chegar a um terraço. Precisamente virado para as salinas e os flamingos (eventualmente se vêem de longe). E é sempre uma hora feliz, essa!