Sunday, 20 November 2022

Férias Monfortinho XXVII - Castelo Branco I

Atenho-me ao que ia vendo, coisas simples, pormenores, comidas e modas. Esta sei porque a fotografei: um agência funerária com uma alegre montra de bonecos e flores.





Um reparo e espanto(me) sempre com estas promessas em cera, devoções reproduzindo os orgãos ou membros que se querem salvar ou melhorar. E porque não? dizia-se "a fé é que nos salva" e nestas coisas comuns sinto-me sempre respeitosa das ideias religiosas que as espelham



O jantar num sítio agradável e bom




Das modas, das tradições, desde noivas, nubentes e convidados, não é por falta de acessórios...

Na verdade, fiquei positivamente espantada com os modelos das montras, dignos de qualquer boutique na capital!

 

(isto faz parte da minha procura, durante anos, de lugares, nos sítios onde "pensava poder repousar", separando-me da vida da cidade)

Uma vez fiz uns lacinhos, de pano igual a uma saia, para pôr nuns sapatos assim decotados
O "Leão das Louças". Bem, quantas vezes sinto que sou um elefante entrando numa loja de vidros...!

A noite para voltar à base, Termas de Monfortinho.


Friday, 18 November 2022

Férias Monfortinho XXVI - Castelo Branco

Ida a Castelo Branco. Para nós, posicionados rente ao mar, é nos confins do mundo... Já lá tínhamos estado, visitado vários lugares e o museu municipal, mas desta vez foi-se apenas de passeio e comemoração do dia 30 de Setembro.

A cidade é antiga, asseguram os achados arqueológicos do Paleolítico e de um castro pré-romano. Os Templários ali se instalaram no séc. XIII, erigindo o castelo. Segundo vi e soube, encontram-se casas com muitas portas quinhentistas, algumas de traços manuelinos. Aqui está uma que achei preciosa.

 

A minha ideia recente é ter lido que se instalaram ali várias empresas de "serviços call-center", ligadas ao anonimato e precaridade o que, na minha óptica de trabalho,  não me agrada por ali além. O mesmo se passa na Guarda ou eventualmente na Covilhã. Empresas, algumas com nome mas sem rosto, que nos "dão música" de gravador quando são contactadas pelos telefones mas, pelos vistos, é um manancial de empregos em zonas esquecidas: vai tudo por um fio, direccionado por uma antena e é trabalho (???). Companhias estrangeiras, de investimentos mínimos e até subsidiadas. Mas são (as minhas) divagações antigas.

Algumas visões nos meandros da cidade. A chamada Casa do Arco do Bispo, o sinal para o Museu Cargaleiro que não se foi ver


E lá está a cruz Templária

"... abastecimento em quantidade, qualidade e preço justo dos bens comercializados..." o que é que eu não entendo e se perdeu pelo caminho?

Acima, vistas da Sé Concatedral, dedicada a S. Miguel

Ali está ele, o santo a dominar o demónio! Noto sempre estas imagens do santo castigador, a minha educação judaico-cristã a vir à tona.




 

A visão do Jardim do Paço, ao lado do antigo palácio do bispo, hoje Museu Francisco Tavares Proença Júnior. Quando há anos se visitou, pude ver as belas colchas bordadas em seda, com motivos da natureza e a "árvore da vida". Ex-libris da cidade, um trabalho muito específico e belo.

Escadaria dos reis. Lembro-me de ter achado graça ao espanhol rei Filipe I, em tamanho mais "pequeno" que os outros. Interessante pensar em quem pensou isto.





Monday, 14 November 2022

Férias Monfortinho XXV - Póvoa da Atalaia

"O Lugar da Casa" - Eugénio de Andrade (1923-2005) e a poesia como as estrelas que sempre me encantaram. Visitar o sítio onde nasceu e ver a homenagem da terra a um homem que ultrapassa as fronteiras do indizível. O que eu preciso é mesmo de encontrar um motivo mental, e acima de tudo dentro da minha filosofia de vida, dos meus gostos, "para ir"...



Aqui olhei e pensei nas tantas casas que tenho visto, este desenho ingénuo e pobre das aldeias. Lembrei-me da casa do meu avô materno, nos confins do Douro. Era um homem bom.




É tão carinhoso dizer "quando menino" deste Poeta tão grande!

 
Uma menina... a fazer os seus deveres de escola, na sombra tutelar da estátua dedicada ao Poeta "Interminavelmente"




Que sensibilidade delicada tinha este homem! Acontece-me pensar que há gente cujas palavras são eternas, sempre actuais, de um profundo conhecimento do humano, da solidão, de um tempo parado mas pulsante, mas infinito.Ver para lá do olhar. Não são filósofos, nem estudiosos de ciências: são como músicos da alma. E olho as suas palavras como os acordes de uma melodia triste e sofrida.

 






"... O ar debaixo dos seus ramos dança / alheio à luz suja de Manhattan."... Nas minhas intrincadas correspondências nos pensares, aqui está como imagino as cidades grandes, a luz manchada, perdida, entre os prédios altos que não a deixam expandir.

Este povo que o desmerece... Esta cidade do Porto, dos "travel awards" financeiros e turísticos. A casa onde viveu tanto tempo, a sua Fundação abandonada, ninguém interessado, as suas belas palmeiras da Foz do Douro, tantas vezes desgrenhadas, o espanto dos ventos que varrem as memórias das horas sublimes de Eugénio. Como diziam dele "distanciado da vida social" pela, dizia ele, "essa debilidade do coração que é a amizade".




Os longos caminhos e a música, nas palavras e no olhar.