Tuesday, 22 January 2013

Sobre "Alices" e a Gulbenkian


Ainda na Fundação Calouste Gulbenkian, uma exposição de vários artistas e figurações/interpretações diferentes, sobre o conto fantástico "Alice no País das Maravilhas", de Lewis Carrol. Deixei murmurar a memória infantil...


"A Lebre de Março e o Chapeleiro Maluco: a Lebre mergulhou o relógio no chá para ver as horas, mas afirmou que ele marcava sempre cinco horas e era por isso que o chá estava permanentemente servido..."


"Bebe-me, Come-me" diziam os letreiros dos produtos da magia, de crescer e diminuir.


"Não - protestou a Rainha - a sentença primeiro, a deliberação depois"


"Três jardineiros estavam ocupados a pintar de vermelho as rosas brancas: a Rainha de Copas só quer roseiras vermelhas"
"Porque é que aquele gato está a olhar para nós e a rir-se? - Porque é um gato de Chester. Um gato parecido com um mealheiro, se quiseres.
- Um gato que sorri é uma coisa esquisita mas, um sorriso sem gato, palavra que ainda é mais esquisito!"

"O Coelho Branco: ai, ai, vou chegar outra vez atrasado à reunião!"


Alice, presente nos meus pensamentos: ouço alguém murmurar um sopro "Alice já não mora aqui". Com as suas linhas, os seus folhos, as suas tesouras.
 

A reviver a exposição e a espreitar as recordações, das gentes; e dos livrinhos de histórias que sobram aqui.
O que escrevo são excertos duma edição adaptada, da Verbo Infantil, (anos 80???).


Monday, 21 January 2013

A "Gulbenkian"






Há que anos... a segunda vez que Lisboa, a capital do império, era visitada.
Um (doce)amigo nos levava a conhecer lugares, as crianças iam connosco passear, era um tempo verde. Também vermelho-cravo. Um lugar onde parávamos sempre que "a ponte", o Sul... a casa dos amigos em Lisboa.

E depois "da Gulbenkian" eu perguntava: mas vocês em Lisboa têm este museu aqui e nunca disseram nada??? Isto é "como lá fora!" (na altura, só conhecia Londres e Paris).
Os (re)cantos, os painéis de madeira mel e nobre, a luz vertical, a luz difusa, o espreitar das plantas, o labirinto das árvores e águas: além de TUDO, a colecção, a  cerâmica, os quadros, a arte islâmica, as miniaturas, a arte egípcia, as esculturas, as tapeçarias. Os livros. Soube assim que a Arte era (também) nossa, em Portugal. Que fôramos escolhidos para juntar as raridades e peculiaridades dum homem (do mundo, do dinheiro, de tão longe) ... que...
E que tínhamos uma das melhores colecções do mundo de jóias e vidros Arte Nova, de René Lalique, o escultor que parecia esculpir o ar.


Rodin, também! 


 Desde então, a Gulbenkian é-me um LUGAR de afectos. Sempre longe e sempre perto.


Sunday, 20 January 2013

À solta (quase) na exposição

"Figura de Branco" 1906, de Sorolla Bastida






Sophia Melo Breyner Andersen tem, logo no início da exposição, o tema do MAR, tão querido aos portugueses, aos poetas, aos pescadores...

"Quando eu morrer voltarei para buscar
os instantes que não vivi
junto do mar" 

"As Idades do Mar" (até ao próximo domingo, 27.1.13) está na Fundação Calouste Gulbenkian.

Não é permitido tirar fotografias. Gostaria hoje de rever - as normas - no Louvre, o Museu d'Orsay, a Tate, a National Gallery, o British Museum, a Courtauld Gallery, os museus de Viena, de Madrid: na maior parte deles pude fotografar, evidentemente sem flash, as obras que me "tocavam" e queria "guardar" nas imagens que são a minha memória terna-preciosa-eterna (enquanto eu viver!).

Relembro "as idades": dos Mitos, do Poder, do Trabalho, das Tormentas, a Efémera, a Infinita. Reunião de esforços conjuntos de importantes museus da Europa, lembro-me (e sempre) de Turner, de Monet, de Ingres, de Caspar David Friedrich, Constable, Hopper, Klee, Skapinakis, Henrique Pousão, Vieira da Silva, José Malhoa...
Foi uma FELICIDADE vê-la!

Sunday, 25 November 2012

Mais Sombra que Luz






Ver o sol ... ao minuto, perceber a mudança e o triunfo da noite.

Até um breve dia-outro-dia, todavia irrepetível.

Fascínio de Luz e Sombra

Soltar a luz, sendo que sou uma pessoa da noite.
Sempre o incansável fascínio do pôr do sol que se arranja, desarranja em cores e tons.
Até o verde água, o rosa das crianças e do algodão doce.
Um cavalo negro cavalgando as nuvens.
O fogo subindo, descendo no ocaso.
 
No acaso de todos os dias em que há horizonte.
Eu pasmada e parada.










Era este um dia festivo, há muito tempo.

A outra ponta do rectângulo











... é o que hoje me apetece.

Sagres.
À solta, vinte e tal anos depois. Com muitas casas e condomínios, as aldeias abismadas -  ah... o mar vai sobrevivendo.
Ao entulho, ao entorno.
E virando as costas a terra, como o Infante D. Henrique, vemos a vastidão de outros mundos.
E se não vemos, lemos, sabemos.
Esta era madrugada dum dia a seguir a outro.
Raramente as vejo, às madrugadas, ou me levanto para as ver. Só nos pesadelos. Ou o alvoroço. Do passado que assalta, capa negra.
Que muitas madrugadas são a escuridão na varanda, no rectângulo pequeno de céu, nos fechados olhos dos prédios.

Contudo, esta era nova, doce e virada a Sul.

Monday, 5 November 2012

Outono (há 2 anos) e agora?

A minha homenagem ao Outono. O silêncio e o abandono.
Repetida, repensada, rebuscada na memória.
Porque me apetece tê-la toda reunida nas vozes do interior. Forrada a terra, a alma.



Das ervas, folhas secas, reflexos, cogumelos da beira de água. As cores e a distância são absurdas, a um passo de pintor, a uma hora de caminho.
E onde o caminho?
Todos os lugares (me)levam a nada. A volta é certa.
Somente fruo o fruto, um dia flor e tão logo semente, levada pelo tempo.






Encalhada. Aqui.